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1 mês

Vazamento de dados mostra alcance das detenções de uigures na China

25/05/2022 06h12

Pequim, 25 Mai 2022 (AFP) - Um grande vazamento de dados supostamente da polícia chinesa, que inclui milhares de fotos de mulheres, crianças e idosos detidos, lança luz sobre a difícil situação dos uigures na região de Xinjiang.

Os documentos foram publicados nesta terça-feira (24) por um grupo de 14 veículos de comunicação internacionais, coincidindo com a visita da alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, a esta região do noroeste da China.

Foram entregues por uma fonte anônima ao investigador alemão Adrian Zenz, o primeiro que acusou em 2018 o governo chinês de ter internado mais de um milhão de uigures em centros de reeducação política.

Pequim rejeita este número e classifica as acusações como "a mentira do século".

A China afirma que esses lugares são, na verdade, "centros de treinamento profissional" para 'desradicalizar' pessoas tentadas pelo islamismo ou pelo separatismo após uma série de atentados que afetaram a região.

Na terça-feira, os Estados Unidos se manifestaram "chocados" com as novas informações e afirmaram que os documentos provam que o abuso foi provavelmente autorizado por altos funcionários de Pequim.

"Estamos chocados com os relatórios", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, à imprensa. "Seria muito difícil imaginar que um esforço sistemático para suprimir, deter, conduzir uma campanha de genocídio e crimes contra a humanidade não teria a bênção - não teria a aprovação - dos mais altos níveis do governo da República Popular da China".

Entre os documentos divulgados havia mais de 2.800 fotos de identidade de detidos, incluindo a de Zeytunigul Ablehet, uma adolescente de 17 anos detida por ter ouvido um discurso proibido, e de Bilal Qasim, 16 anos, supostamente condenado pela sua relação com outros prisioneiros.

Anihan Hamit, de 73 anos no momento de sua detenção, é a mais velha da lista.

Outra imagem mostra guardas armados com cassetetes aparentemente treinando para controlar um prisioneiro acorrentado.

Documentos escritos comprovam, por sua vez, a tese de uma repressão ordenada pelas mais altas esferas do Estado chinês.

Um discurso atribuído ao ministro da Polícia Zhao Kezhi em 2018 diz, por exemplo, que o presidente Xi Jinping ordenou a expansão dos centros de detenção.

Segundo Zhao, ao menos dois milhões de habitantes do sul de Xinjiang estariam "seriamente influenciados pela infiltração do pensamento extremista".

Os uigures representam cerca de metade da população de Xinjiang (26 milhões de habitantes).

Em um discurso de 2017, Chen Quanguo, então chefe da região, ordenou aos guardas matar a tiros aqueles que tentarem fugir e "vigiar de perto os fiéis".

Pequim rejeitou categoricamente as conclusões de Zenz.

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