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11 meses

Equipes de resgate detectam ruídos durante busca por submersível desaparecido

Da AFP

21/06/2023 06h08Atualizada em 21/06/2023 15h46

As equipes de resgate que procuram o submersível desaparecido perto dos destroços do Titanic detectaram "ruídos subaquáticos" na área de busca, anunciou a Guarda Costeira dos Estados Unidos, quando especialistas calculam que os cinco ocupantes do aparelho têm oxigênio suficiente para menos de 24 horas.

A comunicação com o submersível Titan, de 6,5 metros de comprimento, foi perdida no domingo, duas horas depois de iniciar a descida em direção aos vestígios do mítico transatlântico, localizados a quase 4.000 metros de profundidade e a 600 quilômetros de Terra Nova, no Atlântico Norte.

"O avião canadense P-3 detectou ruídos subaquáticos na área de busca. Como resultado, as operações de um ROV (sigla em inglês para veículo operado de maneira remota) foram realocadas em uma tentativa de explorar a origem dos ruídos", anunciou no Twitter o Primeiro Distrito da Guarda Costeira dos Estados Unidos.

As buscas com o ROV não apresentaram resultados até o momento, mas continuam, acrescentou a divisão marítima militar. A área de busca se expandiu e na superfície ela tem o dobro do tamanho do estado norte-americano de Connecticut (cerca de 26.046 quilômetros quadrados). Já a busca subsuperficial tem cerca de quatro quilômetros de profundidade. Uma equipe francesa está trazendo alguns "equipamentos de última geração" para ajudar na busca, segundo um capitão da operação.

Com base em um documento interno do governo americano, o canal CNN informou que "sinais acústicos adicionais foram ouvidos que ajudarão a direcionar os recursos de superfície, enquanto persiste a esperança de encontrar sobreviventes".

A bordo do Titan viajavam o bilionário britânico Hamish Harding, presidente da empresa de jatos particulares Action Aviation, o empresário paquistanês Shahzada Dawood, vice-presidente do conglomerado Engro, e seu filho, Suleman, o mergulhador francês Paul-Henri Nargeolet, e especialista nos destroços do Titanic, e Stockton Rush, CEO da OceanGate Expeditions, a empresa que opera o submersível.

O custo da excursão é US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,2 milhão) por passageiro.

Barcos e aviões dirigem-se ao local para reforçar a grande operação de busca das Guardas Costeiras dos Estados Unidos e do Canadá.

O Pentágono anunciou o envio de um terceiro avião C-130 e três C-17, enquanto um robô submarino, enviado pelo Instituto Oceanográfico francês será incorporado às buscas durante a quarta-feira.

Operação complexa

"Trata-se de uma busca muito complexa e a equipe unificada está trabalhando sem descanso para pôr em andamento o quanto antes os recursos e conhecimentos disponíveis", disse à imprensa o capitão da Guarda Costeira americana, Jamie Frederick.

As equipes de resgate calculam que os passageiros têm menos de um dia de oxigênio no submersível, com base na capacidade que o aparelho tem para armazenar até 96 horas de ar de emergência.

O ex-diretor de operações marítimas da OceanGate Expeditions, David Lochridge, demitido por ter questionado a segurança do Titan, mencionou em um processo judicial um "projeto experimental e não comprovado" do submersível.

Em uma postagem em sua conta no Instagram antes de viajar, Harding, 58 anos, expressou orgulho em participar da expedição.

"Devido ao pior inverno em Terra Nova em 40 anos, é provável que esta seja a primeira e única missão tripulada ao Titanic em 2023", escreveu.

Mike Reiss, roteirista de televisão americano que visitou os destroços do Titanic no mesmo submersível no ano passado, afirmou à BBC que a experiência foi desorientadora.

"A bússola parou de funcionar imediatamente e começou a girar, então tivemos que nos mover às cegas no fundo do oceano", explicou.

Conscientes do perigo

Todos, no entanto, estavam cientes dos perigos da expedição, disse Reiss à BBC. "Você assina um documento antes de embarcar, e na primeira página a morte é mencionada três vezes".

O Titanic afundou em sua viagem inaugural entre a cidade inglesa de Southampton e Nova York em 1912 após colidir com um iceberg. Das 2.224 pessoas a bordo, cerca de 1.500 morreram.

Os destroços do transatlântico, partido ao meio, foram descobertos em 1985. Desde então, a área tem sido visitada por caçadores de tesouros e turistas.