Conteúdo publicado há 20 dias

Presidente de estatal colombiana recebe carta com ameaça de morte em casa

O presidente da petrolífera estatal colombiana Ecopetrol, Ricardo Roa, recebeu ameaças de morte depois de denunciar o suposto financiamento da principal empresa do país a grupos paramilitares, segundo informações fornecidas à AFP nesta terça-feira (25).

Roa "recebeu uma ameaça e a Ecopetrol informou imediatamente as autoridades sobre o assunto", disse um responsável da empresa, sem dar mais detalhes.

O gestor do petróleo, um dos homens mais próximos do presidente Gustavo Petro, recebeu em sua casa uma caixa contendo panfletos, duas balas e uma garrafa com terra, segundo imagens divulgadas pela mídia local. Nos papéis estavam impressas algumas cruzes e a mensagem "DESCANSE EM PAZ".

Durante vários anos, Petro denunciou o suposto financiamento da companhia petrolífera a grupos paramilitares de extrema direita que cometeram milhares de massacres de civis em meio à sua guerra contra as guerrilhas na década de 1990 e no início deste século.

Em maio, Roa garantiu que há "muitíssimas denúncias" que tem recebido sobre estes "fatos associados à presença de grupos fora da lei nas próprias atividades da Ecopetrol".Petro afirma que o seu governo colabora para esclarecer estas supostas alianças.

Em 2023, a Ecopetrol obteve um lucro líquido de 19,1 trilhões de pesos (cerca de 4,6 bilhões de dólares ou 24,8 bilhões de reais) e produziu uma média de 737 mil barris por dia.

Forte defensor do meio ambiente, Petro impediu a assinatura de novos contratos para exploração de poços de petróleo e quer que a Ecopetrol se torne uma empresa produtora de energia limpa.

Antes de ser nomeado chefe da empresa, Roa foi gestor da campanha presidencial do Petro em 2022. Agora enfrenta uma investigação por supostas violações dos limites estabelecidos pela autoridade eleitoral.

Em 2022, Sibares Lamprea, líder da principal organização de trabalhadores da indústria petrolífera de uma região onde operam o grupo traficante de drogas Clan del Golfo, de origem paramilitar, e a guerrilha do ELN, foi morto a tiros.

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