Comissão concede anistia a cunhadas de Betinho perseguidas pela ditadura

Ivan Richard

Da Agência Brasil, em Brasília

  • Divulgação

    Betinho, sociólogo e ativista pela igualdade e contra a fome

    Betinho, sociólogo e ativista pela igualdade e contra a fome

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou nesta sexta-feira (1º) a concessão de anistia política para as professoras Marilena e Kimiko Nakano, cunhadas do sociólogo Hebert José de Sousa, conhecido como Betinho.

A comissão entendeu que as duas foram perseguidas pela ditadura militar e exoneradas dos cargos de professora devido ao posicionamento político delas na época.

Marilena e Kimiko terão direito a receber, mensalmente, a título de reparação, R$ 2.778. O valor corresponde à remuneração média de um professor do ensino fundamental. Elas também receberão um pagamento adicional retroativo referente ao tempo que não puderam exercer a atividade profissional.

Marilena Nakano foi ativista do movimento estudantil quando frequentava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Fundação Santo André e militante do grupo Ação Popular, nas décadas de 1960 e 1970. Eleita presidente do centro acadêmico da faculdade, organizou a distribuição de panfletos contra a ditadura e foi presa em flagrante.

Depois de presa, a professora foi condenada pela Auditoria Militar a seis meses de prisão por subversão. A ativista ficou presa por um mês no Presídio Tiradentes, em São Paulo.

Por ser menor de 21 anos na época, Marilena conseguiu redução da pena imposta pelo regime. Após ser perseguida pela ditadura, foi demitida e proibida de lecionar na rede estadual.

Reparação

"O futuro está sendo produzido hoje por vocês. E é isso que nos permite ter esperança no futuro", disse Marilena após aprovação de seu pedido de anistia.

A professora pediu que a comissão organize uma caravana até a região do ABC Paulista para acelerar o julgamento de processos de outras pessoas da região que também militaram contra a ditadura e atualmente, segundo ela, passam por dificuldades.

"Fui submetida, como muitos dos meus companheiros e muitos da minha geração, a muitas dificuldades para me estabelecer profissionalmente. Essa minha história é similar à de tantos que aqui já passaram", acrescentou.

Kimiko Nakano também foi militante do grupo Ação Popular. Foi cassada pelo regime no final da década de 1970 e passou a viver na clandestinidade para não ser presa. Em 1976, seguiu para exílio no Canadá ao lado da irmã Maria Nakano e o cunhado Betinho. Permaneceu no exílio entre os anos de 1977 e 1980, quando também viveu na África.

Segundo a Comissão de Anistia, por causa da perseguição da ditadura, Kimiko foi exonerada, na década de 1960, do cargo de professora secundária por motivação política.

Em 1967, foi aprovada em concurso público para a carreira de professora da rede pública de São Paulo, mas não pode tomar posse. Chegou a ser chamada para exame de admissão pelo Departamento Médico do Serviço Civil de São Paulo, mas devido "aos antecedentes criminais" foi impedida de exercer a função.

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