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Tráfico e milícia são a mesma coisa, diz secretário de Polícia do Rio

Policiais fazem operação para combater o tráfico na região do Jacarezinho no Rio de Janeiro (RJ) - OSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Policiais fazem operação para combater o tráfico na região do Jacarezinho no Rio de Janeiro (RJ) Imagem: OSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

26/11/2019 20h36

Traficantes e milicianos são igualmente criminosos, sem distinção, atuando ambos no tráfico de drogas, no roubo de cargas e no roubo de carros. A afirmação foi feita nesta terça-feira (26) pelo secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Marcus Vinícius Braga, em entrevista coletiva sobre a morte de um criminoso procurado e os últimos índices de criminalidade divulgados no estado.

"Tráfico e milícia hoje são exatamente a mesma coisa. São criminosos perversos que dominam a sociedade local, independente de a sociedade querer ou não. A gente trata milícia exatamente como trata o tráfico. São criminosos. É mentira que miliciano não trafica drogas, é mentira que não rouba carga, que não rouba carros. Faz tudo o que o traficante faz", disse Braga.

Segundo o secretário, o combate às milícias é mais complexo do que a repressão ao tráfico de drogas, porque não é tão aparente e requer mais investigação. Isso demandou, de acordo com o delegado, uma curva de aprendizagem das polícias, para permitir lutar contra as milícias.

"A Polícia Militar e a Polícia Civil começaram a entender o trabalho de milícia. Não é fácil. A gente não sabia, no começo, como seria o nosso trabalho. O traficante, você vê ele ali com a droga, o miliciano requer investigação. Muito difícil dar um flagrante em crime de miliciano, a não ser no porte de arma", ressaltou Marcus Vinícius.

Durante a coletiva, que abordou a morte do traficante Thomas Jhayson Vieira Gome, o 3N, e mais cinco pessoas que estavam com ele em um sítio, no início da manhã, o delegado falou também sobre os índices de criminalidade no estado, divulgados na segunda-feira (25), que apontam uma diminuição importante nos homicídios dolosos, assim como o constante aumento do número de pessoas mortas em operações policiais.

"Não tem como diminuir 884 mortes e falar que reduzimos por esse ou por aquele motivo. Uma série de fatores que as polícias estaduais estão desenvolvendo e trabalhos em conjunto geram essa diminuição. O homicídio doloso é a nossa principal meta", disse o secretário. Ele destacou que a redução de outros grupos de crimes contribuiu para a diminuição dos casos de homicídio, como o menor número de roubos de veículos, que registrou 33.652 casos, de janeiro a outubro deste ano, 10.559 a menos do que no ano anterior.

Mortes em confrontos

Sobre o aumento dos casos de morte em confrontos, o secretário enfatizou que é resultado da reação dos criminosos à polícia: "A morte por intervenção policial nada mais é do que, na hora da operação, o sujeito reagiu. Ponto".

O porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Flies, que também participou da entrevista coletiva, atribuiu o alto índice de mortes de criminosos ao comportamento destes, muitos dos quais, jovens e fortemente armados. "É bom frisar que as nossas operações são programadas com dados de inteligência e visam preservar vidas. No entanto, marginais insanos, portando armas de guerra, não se rendem. Eles buscam o enfrentamento, ousam atacar o Estado e a sociedade", afirmou Flies.

Foram 1.546 casos de mortos em confronto com a polícia, de janeiro a outubro de 2019, contra 1.310 no mesmo período do ano passado, um aumento de 236 pessoas mortas.

Cotidiano