Mariz grava vídeo para deputados com resumo da defesa de Temer

Carla Araújo e Daiene Cardoso

Brasília

Em um vídeo de dois minutos que será distribuído aos deputados que julgarão se o presidente Michel Temer deve ser processado por corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal, o advogado do presidente, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, reforça a estratégia de que Temer é inocente e que as provas contra ele são ilícitas. "Assim aguarda-se com serenidade que essa egrégia Câmara de Deputados não conceda autorização para que o STF processe o presidente da República", afirma.

Segundo Mariz, o presidente "nada pediu, nada recebeu e a ninguém favoreceu. Por tal razão, lança-se um desafio: provem o contrário". "Mostrou-se na defesa que está sendo apresentada a superior apreciação de vossas excelências que o presidente Michel Temer não praticou o delito de corrupção passiva, que lhe é injustamente imputado", diz. "Em face da carência de provas recorreu-se a suposições, hipóteses e ilações e escreveu-se uma peça de ficção. Uma verdadeira peça de ficção", reforça Mariz na mensagem.

O advogado ressalta ainda no vídeo as declarações que deu na tarde desta quarta-feira, 5, ao protocolar a defesa de 98 páginas na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). "A construção acusatória baseou-se numa gravação repleta de cortes, adulterações e manipulações que lhe retiram autenticidade conforme atestado por inúmeros trabalhos técnicos", explica. Para o advogado, mesmo que a gravação constituísse prova legítima e licita "o seu conteúdo não compromete em absoluto o presidente da República com a prática de algum ilícito".

Assim como tem feito desde que o presidente foi gravado pelo empresário Joesley Batista, Mariz critica na mensagem os benefícios concedidos ao delator e afirma que eles são inaceitáveis. Mariz diz ainda que agiu-se "de forma inadequadamente seletiva" e que o "cidadão Michel Temer, homem público, probo, digno, com uma imaculada trajetória política de mais de 50 anos não cometeu qualquer deslize de natureza moral, ética ou penal."

Ao deixar a entrevista coletiva nesta tarde, Mariz havia dito que o vídeo tinha três minutos, mas possui dois minutos.

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