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Indefinição sobre Planalto deixa disputa ao governo de SP em compasso de espera

Adriana Ferraz e Pedro Venceslau

São Paulo

27/09/2017 12h48

A antecipação da corrida presidencial de 2018 contagia as disputas partidárias pelo Palácio dos Bandeirantes. Em compasso de espera, ainda sem saber quem serão seus candidatos à sucessão de Michel Temer, PSDB, PT, DEM, PSB, PMDB e PSD experimentam alguns nomes para concorrer ao governo paulista ano que vem.

Ao menos dez políticos, como os tucanos Floriano Pesaro e Luiz Felipe d’Avila, o petista Fernando Haddad, o vice-governador Márcio França, o peemedebista Paulo Skaf e o democrata Rodrigo Garcia, já se colocaram como opções em suas legendas, ainda que na dependência de quem será o escolhido para disputar a Presidência.

Após mais de 22 anos no comando do Estado, com seis mandatos consecutivos, os tucanos se dividem entre uma candidatura que represente a renovação na política ou a "segurança" de lançar o senador José Serra, que conta com o recall de eleições anteriores. Ao mesmo tempo, cogita o nome do prefeito da capital, João Doria, caso ele perca a disputa que trava internamente com o governador Geraldo Alckmin para vaga de Michel Temer.

Pesaro e d’Ávila já se apresentaram formalmente como candidatos, e a lista pode ainda receber o nome do atual secretário estadual da Saúde, David Uip, que já anunciou interesse, do ex-senador José Aníbal e do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando. A concorrência interna abriu mais uma crise no partido. Durante encontro do diretório estadual deste mês, Morando criticou a antecipação do processo eleitoral e pediu ao presidente da sigla no Estado, deputado Pedro Tobias, que suspendesse as pré-candidaturas e formasse uma comissão para avaliar os nomes.

"Luiz Felipe quem?", ironizou Morando, referindo-se a d’Ávila. "Ninguém tem autoridade para colocar nome agora. Isso só serve para atrapalhar nosso candidato a presidente", completou. Reservadamente, tucanos da executiva estadual dizem que a preferência do partido é pelo lançamento de Doria para o governo e Alckmin, para presidente. O pedido de suspensão da apresentação da pré-candidaturas foi negado por Tobias.

Efeito Lula

A indefinição que ronda a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto também "atrapalha" os planos do PT no âmbito estadual. Líder da bancada do partido na Assembleia Legislativa, o deputado Alencar Braga disse que Haddad passou a ser tratado como uma das opções do partido para a disputa do governo do Estado em 2018, apesar de ele ser também uma das alternativas da legenda para a corrida presidencial, no caso de Lula ser condenado em segunda instância e virar ficha-suja.

Durante reunião realizada com Haddad no início deste mês, os deputados estaduais afirmaram ao ex-prefeito que gostariam de ver seu nome na urna eleitoral ano que vem, independentemente do cargo a ser disputado. "Ele disse que está à disposição do partido", afirmou Braga.

Mas, caso decida concorrer ao governo, Haddad, assim como os tucanos, também terá de enfrentar antes uma disputa interna. O ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, já demonstrou oficialmente o desejo de concorrer, de acordo com a bancada petista. Na análise de parte do partido, no entanto, o nome de Haddad é mais forte, pelo recall da última eleição.

Apesar de ter sido derrotado no primeiro turno por Doria, o ex-prefeito teve a preferência de 16% do eleitorado. À reportagem, Haddad afirmou que apenas recebeu "uma sondagem" dos deputados do partido. Segundo o ex-prefeito, Marinho também o sondou para saber se ele aceitaria disputar o Senado na chapa petista. Haddad respondeu que, antes, era preciso conversar com o vereador Eduardo Suplicy, que também manifestou desejo de concorrer ao governo ou ao Senado.

Skaf

O leque de possibilidades também está aberto nos demais partidos. Skaf, do PMDB, já pleiteia a chance de disputar o governo novamente, tendo iniciado tratativas com Kassab, presidente licenciado do PSD, para compor uma chapa forte em São Paulo. No xadrez de Skaf, uma candidatura de Doria, e não de Alckmin, à Presidência lhe seria favorável, já que o prefeito ficaria longe do Palácio dos Bandeirantes. Internamente, no entanto, outra disputa o preocupa: a senadora Marta Suplicy também pode pleitear a vaga.

No DEM, o pré-candidato é o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia. Nome forte da sigla em São Paulo e um dos principais aliados do governador, entrou oficialmente na corrida pelo Bandeirantes. "Já avisei o governador Geraldo Alckmin dessa disposição", disse, sem mencionar a data que deve deixar a pasta. Tucanos, no entanto, consideram a possibilidade de ele compor uma chapa como vice - a mesma opção poderia ser dada a Kassab.

A lista é completada pelo atual vice-governador de São Paulo, que deve experimentar a função a partir de abril de 2018, quando é esperada a desincompatibilização de Alckmin, no caso de ele ser o escolhido pelo PSDB ou outra legenda a disputar a Presidência. França já foi lançado candidato durante congresso do PSB.