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Exército fica entre os assuntos mais comentados do mundo no Twitter

04/04/2018 04h17

O assunto Exército ficou entre os dez mais comentados do Twitter mundial na madrugada desta quarta-feira, 4. O destaque veio após a publicação feita pelo general Villas Bôas, comandante do Exército, em seu perfil na rede social, afirmando que "repudia a impunidade" e que a Força está atenta "às suas missões institucionais".

A manifestação, recebida com críticas e apoio, veio às vésperas do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, no STF (Supremo Tribunal Federal).

Outros militares manifestaram apoio a Villas Bôas. Também no Twitter, o general José Luiz Dias Freitas, comandante Militar do Oeste, escreveu: "Mais uma vez o Comandante do Exército expressa as preocupações e anseios dos cidadãos brasileiros que vestem fardas. Estamos juntos, Comandante".

Na contramão, o ex-procurador da República Rodrigo Janot se disse preocupado. "Isso definitivamente não é bom. Se for o que parece, outro 1964 será inaceitável."

Condenação em 2ª instância

Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, e poderá ser preso se o STF negar o habeas corpus.

Os três desembargadores da 8ª Turma entenderam que Lula recebeu o imóvel como propina paga pela empreiteira OAS em troca de contratos na Petrobras. O petista nega ser dono do imóvel e afirma ser alvo de uma perseguição política promovida por setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, para impedi-lo de ser novamente candidato à Presidência.

habeas corpus impetrado pela defesa de Lula busca que a pena imposta ao ex-presidente comece a ser cumprida somente em caso de rejeição de todos os recursos possíveis em todas as instâncias do Judiciário.

Lula lidera, com folga, as principais pesquisas de intenção de voto para a corrida presidencial de outubro, mas devido à condenação por um órgão colegiado da Justiça, deve ser impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa.

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Instabilidade e sugestão de intervenção militar

Mais cedo, o general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que se o STF permitir que Lula se candidate e se eleja presidente, não restará alternativa a não ser uma intervenção militar.

"Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem. Mas não creio que chegaremos lá", disse Lessa, segundo reportagem publicada no site da revista Exame.

O julgamento do recurso de Lula no STF tem sido precedido de forte pressão. A Corte já recebeu dois abaixo-assinados nesta semana, um pela prisão após condenação em segunda instância e outro contrário a esse entendimento.

Atos opostos ao ex-presidente e outros de apoio ao petista também têm sido organizados desde esta terça-feira (3). Na quarta, vias de Brasília serão bloqueadas, e manifestantes pró e contra Lula serão separados por grades e policiais militares.

Na semana passada, a caravana do ex-presidente Lula pelo sul foi alvejada por três tiros durante a passagem pelo Paraná. No mesmo dia, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, declarou à GloboNews que ele e sua família têm recebido ameaças.

Na segunda-feira (2), a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, pediu "serenidade" e disse que "violência não é justiça". Já nesta terça, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, declarou esperar um "clima ordeiro" nas manifestações desta semana.

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