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Em um ano, Brasil tem 1,1 milhão de matrículas a menos no período integral

Isabela Palhares

São Paulo

31/01/2019 12h14

Em um ano, o Brasil teve queda de 1,1 milhão de matrículas para o período integral no ensino fundamental (do 1º ao 9º ano) e médio. O aumento das vagas em tempo integral foi uma das apostas do governo federal nos últimos anos para melhorar os índices educacionais. Os dados são do Censo Escolar 2018, divulgado nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).

Em 2017, havia 13,9% dos alunos do ensino fundamental em tempo integral (com 7 horas ou mais de aulas diárias) - com 3,79 milhões de matrículas. Esse índice passou para 9,4% no ano passado - com 2,55 milhões. A proporção é substancialmente menor na rede privada - apenas 2,2% dos alunos estudam nessa modalidade.

No ensino médio, o porcentual de alunos em tempo integral aumentou. Passou de 8,4% para 10,3%. O porcentual se refere à rede pública, que soma 6.777.892 estudantes. Adicionando a rede privada, o índice foi de 9,5%. Depois de aprovar a reforma do Ensino Médio e lançar um programa para expandir o número de matrículas em tempo integral nessa etapa de ensino, o governo Michel Temer não conseguiu alcançar a meta que havia estipulado, de ter 13% dos estudantes nessa modalidade até o ano passado.

Especialistas e pesquisas apontam o ensino em tempo integral como forma de garantir melhor aprendizagem, uma vez que os estudantes têm mais contato com conteúdos escolares. A modalidade, no entanto, é mais cara.

Com a queda, o Brasil fica ainda mais distante de alcançar a meta do Plano Nacional da Educação (PNE) que prevê, até 2024, alcançar 25% das matrículas e 50% das escolas da rede pública nessa modalidade. O governo Jair Bolsonaro não apresentou ainda um plano para aumentar o número de estudantes no período integral.

Reprovação

Ainda no ciclo da alfabetização, 11,2% das crianças matriculadas no 3º ano do ensino fundamental estão com dois anos ou mais de atraso. A distorção idade-série é a proporção de alunos com mais de 2 anos de atraso escolar. Ou seja, os dados mostram que, no ano passado, uma em cada dez crianças tinha 10 anos ou mais enquanto cursava o 3º ano do ensino fundamental - 8 anos é a idade esperada para a série.

O que leva a distorção pode ser o abandono escolar ou a reprovação, esta última é a principal explicação nessa etapa.

Especialistas e pesquisas em educação indicam que a reprovação tem um efeito negativo na aprendizagem. Uma pesquisa do Cenpec também reforça que os estudos internacionais indicam que a reprovação escolar "é considerada prenunciador importante do abandono escolar, conturba a trajetória escolar, é prática financeiramente dispendiosa e gera resultados contestáveis".

A reprovação nos anos iniciais também é apontada como fator que leva ao crescimento da distorção série-idade ao longo da vida escolar. Dados do Censo Escolar de 2018 mostram que nos anos finais do ensino fundamental (do 5º ao 9º ano) chega a 24,7% e 28,2%, no ensino médio.

Além disso, a taxa de distorção do sexo masculino é maior que a do sexo feminino em todas as etapas de ensino. A maior diferença entre os sexos é observada no sexto ano do ensino fundamental, onde a taxa de distorção idade-série é 31,6% para o sexo masculino e 19,2% para o sexo feminino.

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