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Sob pressão de ruralistas, presidente da Funai é exonerado do cargo

Franklimberg Ribeiro de Freitas - Mário Vilela - 10.mar.2017/Funai
Franklimberg Ribeiro de Freitas Imagem: Mário Vilela - 10.mar.2017/Funai

André Borges

Brasília

11/06/2019 17h14

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), o general Franklimberg Ribeiro de Freitas, foi exonerado do cargo.

Na tarde desta terça-feira, Franklimberg disse à reportagem que recebeu uma ligação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, informando que sua exoneração será publicada nesta quarta-feira, 12, no Diário Oficial da União.

Franklimberg, que estava há menos de cinco meses no cargo, passou a ser alvo de pressão de ruralistas liderados pelo secretário de assuntos fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antonio Nabhan Garcia.

Questionado sobre o assunto, o general disse que a Funai continua a ser alvo de interesses sem nenhuma relação com a causa indígena e que estes, mais uma vez, prevalecem no caminho da autarquia ligada ao Ministério da Justiça.

A realidade é que, infelizmente, assessores do presidente da República que pensam quem conhecem a vida e a realidade dos povos indígenas têm assessorado muito mal o presidente da República

Franklimberg Ribeiro de Freitas, presidente da Funai

Luiz Antonio Nabhan Garcia é amigo de longa data de Jair Bolsonaro. Presidente licenciado da União Democrática Ruralista (UDR), Nabhan passou a ser o principal articulador das mudanças na demarcação de terras indígenas e licenciamento ambiental envolvendo essas áreas. Ocorre que o governo não conseguiu manter a Funai debaixo de seu controle no Mapa e viu a Funai voltar para o Ministério da Justiça, após derrota no Congresso.

"A informação que recebi é que, na quinta-feira, quando a Funai volta para o Ministério da Justiça, já não estarei aqui. Há vetores externos sobre a Funai que, em seu histórico, sempre estão prevalecendo sobre as políticas indígenas", disse o general. "Não fiz nada de errado. Procurei cumprir com todas as missões institucionais e as políticas do governo. Hoje o futuro da Funai é incerto. Não há como definir o amanhã."

Em nota, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos confirmou a exoneração e disse que o general exerceu um "trabalho de excelência à frente da instituição".

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