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Se verdadeiro, vazamento de Moro foi roubado, e isso é crime, diz Mourão

Hamilton Mourão e ministro da Justiça, Sergio Moro - AP Photo/Eraldo Peres
Hamilton Mourão e ministro da Justiça, Sergio Moro Imagem: AP Photo/Eraldo Peres

Amanda Pupo

Brasília

26/06/2019 12h36

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, classificou nesta quarta-feira (26) como criminoso o vazamento de supostas mensagens trocadas entre procuradores e o ministro da Justiça, Sergio Moro, enquanto era juiz da Lava Jato. Mourão considerou que, se existem "indícios ou dados de que irregularidades foram cometidas", a "forma correta" seria juntar a documentação e entregar ao Ministério Público para uma investigação.

O vice de Jair Bolsonaro afirmou também que a divulgação das supostas mensagens trocadas se dá sem que a "imensa maioria da população" entenda se as frases estão dentro de um contexto e se elas são de fato reais. Esta situação, disse Mourão, não presta "nenhum serviço ao país". As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Gaúcha.

"Esses conteúdos, considero, na minha visão muito clara, são um crime que vem sendo cometido, porque, se existem indícios ou dados de que irregularidades foram cometidas, a forma correta de lidar com isso é juntar essa documentação e entregar ao Ministério Público de modo que se investigue e a partir daí se tome dentro do devido processo legal as providências cabíveis", disse.

"Nós estamos vendo um ato criminoso, sendo divulgado sequencialmente sem que a imensa maioria da população entenda se aquelas frases estão dentro do contexto, se aqueles dados são realmente reais, não foram periciados, ou seja, não está prestando nenhum serviço ao país", continuou Mourão, afirmando ainda que, se o conteúdo é verdadeiro, ele foi roubado de celulares de autoridades públicas. "Isso é um crime".

Na mesma linha de Mourão, Moro também tem afirmado que a situação envolvendo o vazamento das mensagens é um ato criminoso. O ministro da Justiça diz não ser possível garantir a autenticidade das mensagens, pois apagou o aplicativo usado na época e não tem mais os registros. O ex-juiz nega também qualquer atitude contra a lei.

Na semana passada, em audiência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Moro também sugeriu que o site The Intercept Brasil, que divulgou as supostas mensagens, entregasse o material as autoridades.

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"O site que apresente tudo, e aí a sociedade vai poder ver de pronto se houve alguma incorreção da minha parte. Eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo, vamos submeter isso ao escrutínio público. E, se houve ali irregularidade da minha parte, eu saio, mas não houve, porque eu sempre agi com base na lei", disse o ministro na CCJ.

Nesta terça (25), o jornalista Glenn Greenwald disse na Câmara que Moro está usando uma tática "cínica" para tentar enganar a população sobre o conteúdo de diálogos vazados pelo site The Intercept Brasil, do qual é um dos fundadores.

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Na entrevista concedida nesta quarta-feira, Mourão Fez ainda elogios ao ministro da Justiça. O presidente em exercício disse que Moro tem a "coragem e a determinação para levar" em frente o que está dentro da lei. "Pelo conhecimento e pela convivência vemos que ele é uma pessoa extremamente resiliente, pessoa tranquila como mostrou na CCJ do Senado, e tem a coragem e determinação para levar avante aquilo que está dentro da lei", disse o presidente em exercício.

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