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Paraenses protestam contra queimadas na Amazônia no auto do Círio

Auto do Círio promovido pelo Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará percorre as ruas do bairro Cidade Velha, em Belém - Tiago Queiroz / Estadão Conteúdo
Auto do Círio promovido pelo Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará percorre as ruas do bairro Cidade Velha, em Belém Imagem: Tiago Queiroz / Estadão Conteúdo

Tiago Queiroz*

Belém

12/10/2019 14h18

Já é tradição em Belém: uma noite antes da trasladação da imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas do centro velho, uma turma de artistas nas suas mais diversas linguagens saem em evento cultural pelas ruas próximas da Igreja da Sé. Trata-se do Auto do Círio, organizado, pensado e fundado pelos professores Amir Addad, Margareth Refskalevski e Zelia Amador de Deus, da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Os três docentes, já em idade avançada, foram homenageados neste ano e estavam em um dos poucos carros alegóricos que saem no cortejo.

Segundo o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, presente nos festejos deste ano, a ideia nasceu da vontade "de integrar o setor cultural com o Círio de Nazaré.

"(É) Uma forma de promover pesquisas acadêmicas integrando setores da cultura com a sociedade de Belém", afirmou o reitor da UFPA.

Tourinho lembra que nos primeiros anos houve resistência de alas mais conservadoras da cidade, mas que ao longo do tempo a rejeição foi superada.

"A população hoje nos apoia e nos espera pelas ruas da Cidade Velha."

O tema deste ano do Auto do Círio adquiriu forte tom político: "Maria, mãe de todas as matas". Apesar de ter sido escolhido em março, o tema ganhou força com as recentes queimadas na região amazônica.

Com essa mensagem para elaborar a fantasia, a dona de casa Neide Ferro produziu uma vestimenta em que o adereço principal é uma bandeira do Brasil com manchas vermelhas para simular sangue.

"Quis mostrar o momento que o Brasil está passando, lembrar dos povos indígenas que não têm voz, que quase sempre são esquecidos", afirmou Neide.

Já Edneia Silva optou por pintar o rosto todo de verde, lembrando dos "seres místicos da natureza". Ela se inspirou no livro "O Mundo Místico Caruanas e a Revolta de Sua Ave", de uma autora local, Zeneida Lima.

Democrático, o cortejo recebe todos que queiram desfilar. Neste ano, chamava a atenção a ala de frente dos orixás representados por Ogum, tendo a estudante de dança, Beatriz Moraes, como uma das integrantes.

*o repórter viajou a convite da Vale