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Previsão é que coronavírus tenha menos mortes que a H1N1, diz Bolsonaro

18.mar.2020 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
18.mar.2020 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Imagem: Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo

Felipe Frazão e Nicholas Shores

Em São Paulo

22/03/2020 23h59

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na noite deste domingo que a previsão do governo federal é que o número de mortes provocadas pela pandemia do novo coronavírus no Brasil não supere a quantidade de óbitos causados pela gripe H1N1, que, segundo o presidente, foram 800 - na sua fala em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record TV, contudo, não ficou claro a que período ele se referia para citar este último número.

Na atualização mais recente feita pelo Ministério da Saúde a respeito do número de casos e mortes pela covid-19 no país, feita na tarde deste domingo, o Brasil já tem 1.546 casos de pessoas contaminadas com o novo coronavírus e 25 óbitos. Em relação aos dados divulgados na véspera, são 418 casos a mais, um aumento de 37%, e mais sete mortes, um crescimento de 39%.

Bolsonaro afirmou que a população brasileira não deve entrar em pânico com a pandemia. "Você não pode comparar o Brasil com a Itália. Você sabe quantos habitantes temos por quilômetro quadrado na Itália? São 200 habitantes por quilômetro quadrado", disse. "No Brasil, são 24 (habitantes por km²), há uma diferença enorme entre esses países." Ele prosseguiu comentando que "esses vírus acontecem ao longo do tempo no mundo todo".

Perguntado sobre medidas destinadas a empresas e trabalhadores, o presidente citou o não recolhimento da parcela federal do Simples, linhas de crédito, o adiantamento das duas parcelas do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e uma linha de crédito "enorme" a juros baixos na Caixa Econômica Federal como exemplos de "uma série de medidas vão fazer diferença".

Já sobre o perigo que a covid-19 representa para áreas pobres com alta densidade populacional, como favelas, Bolsonaro comentou sobre uma comunidade no Rio de Janeiro que tem "um número de tuberculose muito alto". "Entrando o vírus lá, com toda certeza nessa comunidade vai ter muita gente que vai perder a vida, porque vai ser agravada por esse vírus. O cuidado que tem que ter: evitar a circulação", respondeu.

Uma das tônicas da entrevista foram os ataques de Bolsonaro a governadores, a quem ele chegou a chamar de "exterminadores de emprego". O presidente alegou, no entanto, que não ataca nenhum governador. "Nós não podemos politizar isso daqui (o combate à pandemia). Só falei isso (sobre os governadores) porque eles me atacam constantemente", disse.

Alvo de panelaços diários em diversas capitais do país desde a última terça-feira, Bolsonaro atribuiu os protestos a supostos incentivos pela TV Globo e pela revista Veja. Segundo ele, trata-se de "uma campanha deslavada, descomunal, absurda contra um chefe de Estado que simplesmente teve coragem de cortar propaganda dessas grandes empresas". "Não estou preocupado com a minha popularidade", disse.

Em sua mensagem de encerramento, o presidente pediu "fé" e "orações" no combate ao coronavírus. "Isso passa. Não tem como evitar, no momento não tem vacina, não tem remédio." Logo em seguida, porém, Bolsonaro voltou a exaltar os testes para avaliar a cloroquina para tratar a covid-19.

Ele apontou que a hidroxicloroquina, cujo uso original se destina ao tratamento de malária, artrite e lupus, está em falta nas farmácias. De acordo com o presidente, a indústria farmacêutica conseguirá repor o medicamento nas lojas "a partir de segunda ou terça-feira".

"Há problemas, mas a Anvisa está em contato com nosso semelhante nos Estados Unidos buscando saber até que ponto o reuquinol (nome comercial da hidroxicloroquina) pode ser constatado como importante para a cura de quem vier se acometer do Covid-19", finalizou o presidente.

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