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10 meses

Mulher de Mauro Cid e filha de Villas Bôas tramaram 'invadir Brasília' e 'queda' de Moraes

24.fev.2021 - O então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
24.fev.2021 - O então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Rayssa Motta

17/06/2023 08h55Atualizada em 17/06/2023 12h59

Depois de confessar ter usado um cartão falso de vacinação da covid-19, a mulher do tenente-coronel Mauro Cid, Gabriela Santiago Ribeiro Cid, foi envolvida em uma segunda investigação da Polícia Federal: a que mira uma trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições.

Uma perícia no celular dela recuperou conversas golpistas com Ticiana Haas Villas Bôas, filha do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, após o segundo turno.

Elas defendem uma nova eleição, com voto impresso, e a destituição do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que segundo Gabriela 'tem que cair'.

"Estamos diante de um momento tenso onde temos que pressionar o Congresso", escreve Gabriela. A filha do general responde: "Ou isso ou a queda do Moraes."

Gabriela também sugere uma mobilização de caminhoneiros, que na época estavam obstruindo rodovias federais em protesto contra a vitória de Lula. "Invadir Brasília como no 7 de setembro e dessa vez o presidente, com toda essa força, agirá."

A mulher de Mauro Cid também parece mobilizar doações aos manifestantes bolsonaristas e convocar amigos para os protestos. "Não estamos mais em tempo de brincadeira", escreve. "As Forças Armadas estão ao nosso lado."

Gabriela chega a sugerir a confecção de cartazes com mensagens como 'senadores covardes', 'Rodrigo Pacheco culpado' e 'impeachment AM' (Alexandre de Moraes).

O que diz a defesa de Bolsonaro

O presidente Bolsonaro jamais participou de qualquer conversa sobre um suposto golpe de Estado.

Registramos, ainda, que o ajudante de ordens, pela função exercida, recebia todas as demandas - pedidos de agendamento, recados etc - que deveriam chegar ao presidente da República. O celular dele, portanto, por diversas ocasiões se transformou numa simples caixa de correspondência que registrava as mais diversas lamentações."
Paulo Amador da Cunha Bueno, Daniel Bettamio Tesser e Fábio Wajngarten, advogados do ex-presidente

O que diz a defesa de Mauro e Gabriela Cid

Por respeito ao Supremo Tribunal Federal, todas as manifestações defensivas serão feitas apenas nos autos do processo."
Bernardo Fenelon e Bruno Buonicore

A reportagem busca contato com Adriana Villas-Boas.

Errata: este conteúdo foi atualizado
O nome correto da filha do general Eduardo Villas Bôas é Ticiana. Versão anterior deste texto atribuiu a conversa a Adriana, outra filha do general. A informação foi corrigida.