Polícia do Egito confundiu italiano com espião, diz NYT

ROMA, 13 FEV (ANSA) - O jovem italiano Giulio Regeni, encontrado morto no Cairo, teria sido detido por policiais do Egito no dia 25 de janeiro, quando foi dado como desaparecido, publicou neste sábado (13) o jornal "The New York Times", levantando novas hipóteses sobre o caso. "Três funcionários do setor de segurança do Egito envolvidos nas investigações afirmam que Regeni foi preso por alguns agentes dia 25", escreveu o jornal, ressaltando que o estudante teria "reagido bruscamente" à suposta prisão, motivada por contatos encontrados no celular do italiano de pessoas ligadas à Irmandade Muçulmana e ao Movimento 6 de Abril, considerados inimigos do governo. De acordo com as fontes, os policiais teriam prendido o jovem, que fazia uma tese de doutorado sobre economia e sindicatos independentes do Egito, pensando que ele fosse um espião. "Diversas testemunhas dizem que, por volta das 19h locais, dois agentes procuravam alguns jovens pelas ruas", publicou o NYT. Os policiais pararam o italiano e conferiram seu passaporte, antes de o levarem embora. "Um dos agentes já tinha ido a aquele bairro em outras ocasiões e feito perguntas aos moradores sobre Regeni", relatou o jornal norte-americano. O corpo de Regeni foi encontrado no dia 3 de fevereiro, na região de Hazem Hassan, com sinais de tortura e completamente nu na parte inferior do tronco. Suas orelhas foram mutiladas e suas unhas, arrancadas. Originário da cidade de Fiumicello, Regeni desapareceu no dia 25 de janeiro. Ele estava o Egito desde setembro de 2014 para desenvolver uma tese sobre a economia local. Ele também contribuía com o jornal comunista italiano "Il Manifesto", para o qual escreveu que o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, obtinha o controle do Parlamento usando força militar.   

Os motivos e as circunstâncias da morte de Regeni podem abalar as relações diplomáticas entre Roma e Cairo. "A amizade é um bem precioso, mas só é possível com a verdade", disse o premier italiano, Matteo Renzi, sobre as investigações. Seu corpo foi repatriado e mais de três mil pessoas assistiram ao funeral, ontem (12), em seu município natal, que tem apenas cinco mil habitantes. Ativistas egípcios relatam que ao menos 66 pessoas desapareceram no país somente no mês de janeiro deste ano. Além disso, há 42 casos sendo analisados sob suspeita de tortura em prisões. A ONG Comissão Egípcia para os Direitos Humanos considera como desaparecida qualquer pessoa presa pelas forças locais sem acusações formais. (ANSA)
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