Pela 1ª vez,chanceler brasileiro recebe oposição venezuelana

SÃO PAULO, 26 FEV (ANSA) - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu nesta quinta-feira (25) uma delegação de políticos da oposição da Venezuela. No encontro, os venezuelanos cobraram uma postura firme do Brasil contra o presidente Nicolás Maduro e, por sua vez, o chanceler afirmou que os brasileiros pedem respeito à democracia.   

"O ministro Mauro Vieira agradeceu a visita, enfatizou a importância estratégica da relação com a Venezuela e indicou que o Brasil continua a acompanhar com atenção, interesse e espírito construtivo a evolução da situação naquele país", emitiu em nota a Chancelaria.   

Segundo o Itamaraty, Viera "reiterou ainda manifestações anteriores do Governo brasileiro sobre a importância da manutenção de canais permanentes de diálogo e do respeito à democracia, à ordem institucional e aos poderes constituídos".   

Por sua vez, os deputados venezuelanos Luis Florido, presidente da Comissão Permanente de Política Exterior, Soberania e Integração, e Williams Dávila Barrios, membro da Comissão, expuseram a situação política e econômica do país e "seu compromisso com a busca de soluções políticas exclusivamente dentro do marco constitucional venezuelano".   

Em entrevista após a histórica reunião, Florido destacou ainda que eles estão buscando apoio internacional dos políticos brasileiros na questão dos direitos humanos. "Também estamos concretizando um projeto de lei de anistia, que cabe ao Parlamento decretar para resolver um problema dos venezuelanos, que é a reconciliação nacional", destacou.   

O encontro oficial entre o chanceler e a oposição venezuelana é o primeiro a ser realizado em mais de 17 anos, já que a postura do governo brasileiro sempre foi de apoiar o governo do país vizinho.   

Segundo analistas, a mudança de postura se deve ao fato dos líderes brasileiros não quererem uma deterioração das relações no caso da saída de Nicolás Maduro já no fim deste ano. Apesar de relutar em ter a mesma posição crítica ao líder venezuelano adotada pelos argentinos, os brasileiros estão preparando terreno para manter boas relações com quem estiver no poder.   

Mesmo que o discurso de criticar tudo que o chavismo fez, por sua posição estratégica, o Brasil não quer interferir diretamente na crise - por ter que lidar com sua própria crise na política e economia -, mas está observando atentamente o que acontece no país vizinho.   

A oposição venezuelana ganhou força após vencer as eleições parlamentares do último mês de dezembro, quando o chavismo foi derrotada pela primeira vez na história do país. Com a chamada "supermaioria", os deputados estão tentando alterar a Constituição para diminuir os mandatos de seis para quatro anos, o que permitiria uma saída de Maduro já no fim de 2015.   

A emenda constitucional está tramitando pelo Parlamento e, se aprovada, deve passar por consulta popular. Em encontro com senadores, Florido ainda confirmou que a oposição apresentará um pedido formal da renúncia de Maduro. (ANSA)
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