Alzheimer causa perda de acesso à memória, diz Prêmio Nobel

SÃO PAULO, 18 MAR (ANSA) - Estudiosos acabam de fazer uma descoberta que pode ajudar a encontrar uma cura para o mal de Alzheimer, o tipo de demência mais comum em adultos e idosos do mundo.   

A novidade, anunciada nesta quarta-feira (16), é que a partir de um experimento com ratos de laboratório uma equipe liderada pelo prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina Susumu Tonegawa conseguiu provar que a doença não causa perda de memória por ela não existir mais no cérebro do doente, mas sim por que o acesso até ela não está ativo.   

Nos testes, camundongos saudáveis e outros geneticamente modificados para apresentarem sintomas parecidos com os de Alzheimer foram colocados em uma caixa onde, na sua parte inferior, passava uma corrente elétrica. Quando os ratos sem a doença foram colocados no mesmo recipiente 24h depois, começaram a agir de uma maneira medrosa devido ao choque que haviam levado anteriormente.   

No entanto, os animais que apresentavam os sinais da doença, quando postos de volta na caixa, não apresentaram nenhuma diferença no modo de agir, não tendo medo ou receio de serem eletrocutados. Pôde se perceber, com isso, que esses camundongos não se lembravam do episódio anterior.   

Sabendo disso, Tonegawa e a sua equipe decidiram estimular algumas áreas relacionadas à memória desses ratos, as células engramas, com uma luz laser azul. Usando a técnica optogenética, os pesquisadores implantaram genes de algas sensíveis à luz nos cérebros dos animais que, por sua vez, produziram uma proteína que foi capaz de ativar as células ao serem iluminadas com o laser. Essa técnica nunca foi usada em pacientes humanos, já que é necessário abrir o crânio da pessoa para colocá-la em prática, mas faz parte de pesquisas para tratamentos de outros tipos de doenças mentais, também testados em ratos.   

Os estudiosos perceberam então que grande parte das áreas responsáveis pelas conexões sinápticas da memória dos ratos doentes, as espinhas dendríticas, não estava ativada, sendo assim, as informações não conseguiam ser passadas adiante.   

Porém, ao aplicar a luz na região, descobriu-se que os estímulos conseguiram reativar as espinhas, fazendo-as funcionar.   

Assim, os camundongos com sintomas de Alzheimer começaram a ter um comportamento mais medroso quando colocados novamente na caixa com corrente elétrica.   

A descoberta, que comprovou que quem tem a doença não perdeu as suas memórias, mas sim as conexões até elas, é promissora, no entanto, Tonegawa afirma que ela ainda está no início da fase de experimentação e que ainda precisam ser feitos muitos testes.   

(ANSA)
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