Em viagem ao México, Trump suaviza discurso anti-imigrantes

Por Marcos Romero CIDADE DO MÉXICO, 31 AGO (ANSA) - O candidato republicano às eleições presidenciais dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizou seu discurso anti-imigrantes e até elogiou os mexicanos "pelo seu amor pela família e pela comunidade", mas insistiu em seu plano de construir um muro na fronteira entre os dois países.   

No inesperado encontro privado que aconteceu na residência oficial do presidente do México, Enrique Peña, o mandatário latino ressaltou as fortes divergências entre os dois, enquanto o magnata disse que não iriam discutir "quem vai pagar" pelo muro.   

Essa afirmação contradiz com as falas do começo da campanha do empresário norte-americano, nas quais o México pagaria completamente a construção e manutenção da barreira e que parte dos US$ 24 milhões das remessas anuais enviadas pelos mexicanos para parentes e amigos que estão dos Estados Unidos. Por sua parte, Peña disse que "os mexicanos são pessoas de bem que merecem respeito" e se ofereceu para trabalhar com quem for o vencedor das eleições norte-americanas.   

"Podemos não estar de acordo com diversos temas, mas a sua presença, senhor Trump, mostra uma coincidência fundamental: nossos respectivos países são muito importantes um para o outro", constatou.   

Trump concordou com a afirmação e disse que "compartilhamos interesses em comum sobre segurança, prosperidade e liberdade" ao dizer que os mexicanos em seu país são "pessoas irrepreensíveis, extraordinários trabalhadores" e a quem "respeita muito".   

O encontro entre os mandatários do México e EUA, seguido de uma rápida coletiva de imprensa, teve duras críticas nas redes sociais devido aos ataques xenófobos e preconceituosos de Trump contra os mexicanos, que foram chamados por ele de "criminais e narcotraficantes" em um passado recente.   

Desta vez, Trump não usou sua "espada", mas sim um "ramo de oliveira", já que falou a Peña, a quem chamou de "amigo", em "trabalhar unidos em benefício dos nossos povos" e agradeceu o convite para a reunião, que o "honrou".   

No entanto, apesar das frases protocolares e gentis, um ambiente de tensão circundou o encontro entre o mexicano, que já comparou Trump com Mussolini e Hitler, e o norte-americano, que não para de atacar os imigrantes e que disse que o governo do país latino é "corrupto".   

Trump considerou "necessário erguer um muro para a segurança tanto dos Estados Unidos como do México e para desmantelar os cartéis de droga, de armas e de dinheiro na fronteira".   

O empresário também insistiu na necessidade de "melhorar" o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, em vigor em janeiro de 1994, e disse que ele deve se atualizar para que reflita a realidade atual", em benefício do México e dos Estados Unidos.   

Por sua vez, Peña definiu o encontro como "aberto e construtivo" e disse que seu propósito foi "nos conhecer e trocar opiniões e visões sobre a relação bilateral" e defendeu fazer a fronteira entre os dois países ficar "mais segura e eficiente". (ANSA)
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