Intervenção russa na Síria completa um ano

Por Lorenzo Trombetta BEIRUTE, 30 SET (ANSA) - Lançada há um ano como parte da "guerra ao terrorismo" contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI, ex-Isis), a intervenção militar da Rússia na Síria tem mostrado o seu objetivo: reforçar a presença russa no Mediterrâneo oriental, favorecendo o presidente sírio, Bashar al-Assad, também apoiado pelo Irã. De acordo com Fabrice Balanche, estudioso das dinâmicas sírias e pesquisador do Instituto de Estudos sobre a Civilização do Egeu e do Oriente Próximo, de Washington, a Rússia sabe que para alcançar o seu objetivo "deve primeiro garantir uma vitória militar no terreno".   

Grande parte dessa teoria inclui derrotar toda a resistência em Aleppo, a parte da cidade que é controlada por rebeldes da oposição, apoiada de forma descontínua por países árabes do Golfo.   

A campanha russa de Aleppo para muitos observadores relembra a guerra de Grozny, na Chechênia, em 1999. "Aleppo como Grozny", foi a manchete do diário francês libanês "L'Orient-Le Jour" há poucos dias. "A abordagem à guerra chechena na Síria chegou a radicalizar militantes da oposição e encorajou o Estado Islâmico e o grupo qaidisti", escreveu Abderrahman Rashed, colunista, sobre o jornal pan-árabe Asharq Awsat.   

Em um ano, a campanha da Rússia na Síria também somou mais vítimas do que as causados pelo EI em três.De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Ondus), entre 30 de setembro de 2015 a 20 de agosto de 2016 foram mortos cerca de 8.139 mil pessoas, inclusive 3.089 civis por invasão russa.   

Entre eles, há 746 menores de idade, entre crianças e adolescentes, e 514 mulheres. Segundo a mesma fonte, de 9 de abril de 2013 a julho do ano passado, foram mortos 2.686 civis, incluindo 368 crianças e 323 mulheres.   

Em março deste ano, o presidente Vladimir Putin anunciou uma "retirada parcial" das tropas russas da Síria. A campanha marcou sucessos no terreno para fins militares em Moscou. Além de cercar a região leste de Aleppo, soldados russos têm contribuído decisivamente para conquistar Palmira, cidade localizada ao centro da Síria, famoso sítio romano danificado pelos tanques do regime e por explosões causadas pelo Isis.   

Ao mesmo tempo, Moscou foi acusado por organizações humanitárias internacionais como a Human Rights Watch (HRW) e a Anistia Internacional por lançar bombas em hospitais e instalações médicas, mesmo em áreas distantes das dominadas pelos jihadistas.   

Os meios de comunicação russos e sírios governamentais citam nos relatórios da Anistia e HRW uma denúncia das violações dos inimigos de Moscou e Damasco. (ANSA)
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