Mídia estrangeira repercute eleição de Crivella: "conservadorismo"

Em São Paulo

  • Júlio César Guimarães/UOL

    30.out.2016 - Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB) discursa no Bangu Atlético Clube, zona oeste

    30.out.2016 - Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB) discursa no Bangu Atlético Clube, zona oeste

O segundo turno das eleições municipais no Brasil foi destaque neste domingo (30) também para a imprensa internacional, que realçou a vitória do candidato do PRB Marcelo Crivella no Rio de Janeiro.

Segundo o "New York Times", a vitória de um "bispo evangélico" em uma cidade conhecida mundialmente pela "sua cultura de expor o corpo na praia e pelos seus exuberantes desfiles de Carnaval" aponta "o ressurgimento do conservadorismo na maior nação na América Latina".

O jornal também afirmou que esta vitória é a "última demonstração de raiva contra os partidos de esquerda já estabelecidos" no país, que está sofrendo com sua "pior recessão em décadas" e com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Já o "La Nación" disse que Crivella "se impôs" sobre o seu adversário, o "esquerdista" Marcelo Freixo (PSOL), com uma vantagem "abundante". A publicação argentina também deu destaque à história do candidato, sua relação com Edir Macedo, "fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da emissora Record", e seus pedidos de desculpas por frases ditas no passado sobre temas como "homossexualidade". 

O "The Guardian" também falou sobre Crivella, que foi definido como um "ex-cantor gospel e sobrinho do fundador de uma poderosa igreja" que foi eleito "mesmo com as suas condenações passadas a católicos e homossexuais".

O jornal britânico também ressaltou que a vitória demonstra o "crescimento do conservadorismo religioso e o falecimento do partido de esquerda que dominou o cenário político nacional por mais de uma década".

Para o francês "Le Monde", o novo prefeito do Rio de Janeiro é um "senador evangélico que demoniza há alguns anos os católicos e homossexuais". A publicação também falou que, "a nível nacional", o Partido dos Trabalhadores dos ex-presidentes Luis Inácio Lula da Silva e da sua "protegida" Dilma Rousseff, sofreu com um "desastre histórico", principalmente com os resultados nas eleições em São Paulo e Recife.   

Já na Argentina, o "Clarín" disse que a "Igreja Universal do Reino de Deus, culto evangélico" conseguiu um "triunfo decisivo para esta instituição religiosa" e que Freixo, apoiado por "jovens, universitários e os mais ricos", não conseguiu "elevar o PSOL como alternativa ao PT".

A publicação também destacou o "notável nível de abstenções, votos brancos e nulos" não apenas no Rio de Janeiro, mas em várias outras cidades do país. Também foi citado o fracasso tanto do PT quanto do PSDB e do seu presidente, Aécio Neves.   

Já o "Wall Street Journal" disse que um "senador e bispo evangélico" venceu as eleições na cidade que acabou de sediar os Jogos Olímpicos já que o país estrá "cansado da esquerda depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff em agosto" e ressaltou que, mesmo com as "desgraças" do PT, o partido do presidente Michel Temer, PMDB, não conseguiu "se impor em áreas metropolitanas chave, incluindo São Paulo e Rio".

E o espanhol "El País" afirmou que, como as eleições em São Paulo já haviam sido decididas no primeiro turno, "todos os olhos se voltaram ao Rio de Janeiro" e que na cidade "disputavam dois modelos de Brasil". No entanto, o jornal afirmou que os seus grandes vencedores foi a "abstenção" e os "votos brancos e nulos".

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