Conheça a Pentacamorra, as novas máfias da Itália (2)

ROMA, 28 MAR (ANSA) - (CONTINUAÇÃO) Società Foggiana - Entre as principais inspirações da Società Foggiana está o famoso mafioso italiano Raffaele Cutolo, mas a organização surgiu das cinzas de alguns negócios que antes eram comandados pela Camorra da Campânia. O grupo semina o terror na Púglia com seus roubos espetaculares, suas bombas intimidadoras, suas ameaças às forças de ordem e seus assaltos a blindados. A organização age sob uma conduta ilegal que lembra a dos gângsters da década de 1930 e que agora foi consolidada novamente pela Foggia, que tem seus quartéis gerais na província de mesmo nome, entre Cerignola e San Severo, conseguindo anexar também a "máfia del Gargano". O grupo é um tipo de federação criminosa implacável, que surgiu na década de 1980 e que cresceu como sucursal do clã de Caserta da Camorra. No entanto, ela agora chantageia os comerciantes, utiliza kalashnikov para golpes milionários e ameaça empreiteiros de construção. Também não é estranho que se ouça falar de brigas internas, com homicídios, desaparecimentos suspeitos e muito sangue, pela liderança da organização entre as várias famílias rivais, como os Trisciuoglio, os Palumbo, os Di Tommaso, os Sinesi-Francavilla e os Moretti-Pellegrino-Lanza. O núcleo criminoso é composto por algumas centenas de pessoas, mas continua a fazer novos membros entre os jovens. A Foggiana é um dos grupos mais perigosos e temidos atualmente na Itália e já conta com quase 100 mortes no seu "currículo". Eles enfrentam as forças de ordem com Ak-47 sem medo nenhum. Em 2016, por exemplo, a "sociedade" tinha planos de assassinar Angelo Sanna, inspetor-chefe da polícia de Foggia, e somente um ano depois disso, neste mês de março, diversos tiros foram disparados contra os blindados da polícia de San Severo. Gangues sul-americanas - Para a máfia latina, o importante é pertencer a uma gangue, seja o Barrio 18, o Mara Salvatrucha ou o Latin Kings. A criminalidade dos hispânicos em "estilo" americano, que há anos contagiou o norte da Itália, agora cresceu em Milão e na Ligúria. De alguns anos para cá, as "pandillas", grupos dentro da organização formados por dezenas de pessoas, investem em roubos e no tráfico de drogas. O dinheiro conseguido é gerido pelos "reis" das organizações, os grandes chefes. Mas nesta organização, italianos, filipinos e até marroquinos também participam de algumas operações. Entra-se nas gangues com uma prova de resistência realizada a pontapés dos seus membros mais antigos e depois com um juramento de fidelidade ao grupo e de ódio aos adversários. Se antes a organização parecia com gangues de meninos atraídos pelo crime e inspirados nos subúrbios de Nova York, agora os grupos mostraram que têm um nível criminoso bem mais alto e perigoso. Máfia chinesa - Por fim, a máfia chinesa não traz à Itália apenas mercadorias contrabandeadas, mas também drogas sintéticas, além de controlar a imigração clandestina no país.   

A metanfetamina, que antes já estava no interior da comunidade, agora também circula entre os italianos e chega a ser vendida por 300 euros o grama, o que é confirmado pelas apreensões e as prisões da polícia, feitas mais recentemente na Chinatown de Milão. No entanto, o negócio mais comum é o jogo de azar gerido em locais especializados, geralmente separados para clientes italianos e chineses. Depois, a máfia chinesa também tem braços no comércio, na prostituição e no racket. Há alguns meses, os incêndios que devastaram uma série de empreendimentos chineses em Massa-Carrara levantaram hipóteses da possibilidade de infiltrações da máfia oriental no norte da Toscana, mas também na Lombardia e no Lazio. O império desta máfia se expande cada vez mais, aumenta seus lucros a níveis exponenciais e, de um tempo para cá, aponta até ter um banco próprio na República de San Marino. (ANSA)
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