Especial/Farc já podem entrar na política da Colômbia

BOGOTÁ, 28 ABR (ANSA) - Por Oscar Escamilla - O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou nesta quinta-feira (27) que a "primeira fase" do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi concluída após a aprovação de uma série de normas que habilitam a participação na política por parte dos ex-guerrilheiros.   

"Seguiremos avançando. A tarefa é longa e teremos dificuldades.   

Mas, o objetivo vale a pena porque é uma meta grande e vamos alcançá-la. Vamos construir a paz da Colômbia", disse o chefe de Estado em uma declaração pública.   

Um dos passos mais importantes da fase mencionada pelo mandatário foi a aprovação, na quarta-feira (26), do Congresso pela participação política das Farc como um partido nas eleições legislativas do ano que vem.   

Com a aprovação, em 2018 e 2022, as Farc já convertidas a movimento político, participarão com candidatos no Congresso e, sem importar se alcançarem ou não os votos suficientes, eles terão vagas mínimas tanto na Câmara alta como na Câmara baixa.   

Mas, para obter essa "vitória" e trocar as armas por ternos, os membros da organização terão que entregar todo o seu armamento à Organização das Nações Unidas (ONU) até o fim do mês de maio.   

Calcula-se que as Farc tenham em seu poder cerca de sete mil armas e, recentemente, a descoberta de um esconderijo com apetrechos de guerra do grupo, fez com que os opositores do acordo de paz voltassem a discutir as boas intenções dos ex-guerrilheiros.   

Mas, não apenas a abertura política foi aprovada pelo Congresso.   

Nas últimas semanas, também o Legislativo deu passos para que a Justiça Especial pela Paz analise os casos tantos dos agora ex-guerrilheiros como outros atores do conflito armado de mais de 50 anos.   

Além disso, debateu também sobre a lei de anistia para os rebeldes que não se envolveram em crimes contra a humanidade.   

Por conta de tudo isso, Santos anunciou a criação do "Fundo Colômbia em Paz" , que administrará os recursos econômicos do pós-conflito, incluindo o dinheiro do Estado e de aportes de governos estrangeiros.   

"Através do Fundo, os recursos do pós-conflito e a reconciliação serão manejados com transparência, eficácia e celeridade", prometeu o presidente que anunciou ainda a criação de "um conselho diretor" para a sua administração e a vigilância do mesmo por parte da Controladoria.   

"Com a criação desse fundo, seguimos avançando na construção da paz", acrescentou Santos.   

Mas, não é tudo um cenário de otimismo. As Farc protestaram pedindo "justiça e verdade" por causa do assassinato de cinco parentes dos guerrilheiros, no sul e no noroeste do país, atribuídos por eles a facções paramilitares.   

Também foi noticiado, recentemente, o assassinato de um dos guerrilheiros, chamado de José Huber Yatacue. Apesar do miliciano não estar nas zonas de moradia criadas pelo governo, ele estava nas listas oficiais de guerrilheiros da Colômbia.   

(ANSA)
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