Na UE, é mais fácil morrer em um carro do que por terrorismo

SÃO PAULO, 23 JUN (ANSA) - Por Lucas Rizzi - Os recentes atentados na União Europeia espalharam uma sensação generalizada de insegurança entre seus Estados-membros, principalmente naqueles que têm sido mais visados pelo jihadismo, como França, Bélgica e Reino Unido. Estatisticamente, porém, continua sendo bastante improvável morrer em um ataque terrorista no bloco. Desde que os irmãos Said e Chérif Kouachi invadiram a redação do jornal "Charlie Hebdo", em Paris, e mataram 12 pessoas, a UE vem sendo alvo de constantes atentados. Alguns mais sofisticados, como os da capital francesa em 13 de novembro de 2015, e outros mais rudimentares, como os atropelamentos com caminhões em Nice, Berlim e Londres.   

O ataque ao "Charlie Hebdo" ocorreu em janeiro de 2015, ano com o maior número de vítimas do terrorismo dentro do bloco desde 2004, quando jihadistas inspirados na Al Qaeda mataram mais de 190 pessoas na rede ferroviária de Madri.   

Em 2015, 163 indivíduos faleceram em atentados na União Europeia (excluindo os próprios agressores), de acordo o Global Terrorism Database (GTD), banco de dados sobre terrorismo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, tido como a principal fonte de informações sobre ataques no mundo.   

Para o GTD, uma ação é considerada "terrorista" quando há o uso de violência para "alcançar uma meta política, social, econômica ou religiosa" e quando é realizada por alguém "que não trabalha para um governo". No entanto nem a Organização das Nações Unidas tem uma definição clara do que pode ou não ser classificado como terrorismo.   

Em comparação com outras causas de morte, o caráter de ameaça permanente que reveste o terrorismo perde um pouco de sua força.   

Em 2015, por exemplo, 24,7 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito na UE, número mais de 140 vezes superior à quantidade de vítimas de atentados, de acordo com o Gabinete de Estatísticas do bloco, o Eurostat.   

Além disso, no mesmo período, houve mais fatalidades provocadas por homicídios (4,2 mil), acidentes de trabalho (1,2 mil) e incidentes ferroviários (963). Balanços do Eurostat referentes a 2014, o último ano com dados disponíveis nessas categorias, também mostram que é mais fácil morrer na União Europeia em função de quedas (50,9 mil vítimas) ou "envenenamento acidental por exposição a substâncias nocivas" (13,3 mil).   

Analisada de maneira relativa, a taxa de mortes por terrorismo na UE é de apenas 0,03 a cada 100 mil habitantes - para efeito de comparação, o índice de homicídios no Brasil em 2015 foi de 28,9 para cada 100 mil habitantes, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).   

Esses números comprovam que os grupos terroristas estão conseguindo alcançar pelo menos um de seus objetivos: espalhar pela população europeia a sensação de que nenhum lugar é seguro.   

Também contribui para isso a mudança no perfil dos ataques.   

Desde os atentados de 2015 em Paris, as ações terroristas vêm se tornando cada vez mais rudimentares. Se atacar bares da capital francesa ou o sistema de transportes de Bruxelas exigiu meses de planejamento, agora os agressores já deixaram claro que basta um caminhão e uma faca para disseminar o terror.   

Ainda assim, a UE continua sendo um lugar seguro em relação ao resto do mundo. Segundo o GTD, a Europa Ocidental (onde fica a maior parte dos países do bloco) teve 175 perdas em atentados em 2015, atrás de América do Sul (127), Ásia Oriental (123), América do Norte (53), Ásia Central (13), Austrália e Oceania (duas) e América Central e Caribe (zero).   

À sua frente, aparecem Sudeste Asiático (638), Europa Oriental (790, sendo 765 somente na Ucrânia, que está em guerra), Ásia Meridional (8,3 mil), África Subsaariana (10,5 mil) e Oriente Médio e Norte da África (17,6 mil).   

Embora aparentemente mais frequentes, os atentados na UE também estão ficando menos letais. Em 2016, foram pelo menos 143 vítimas: 86 em Nice, 32 em Bruxelas, 12 em Berlim, nove em Munique, duas em Magnanville, uma em Rouen e uma em Londres.   

Já em 2017, nos quase seis meses transcorridos até aqui, foram 41 mortos: 22 em Manchester, 13 em Londres, cinco em Estocolmo e um em Paris. (ANSA)
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