Eleições/Luciana Laspro, candidata ao Senado da Itália

SÃO PAULO, 21 FEV (ANSA) - Candidata ao Senado, Luciana Laspro pertence ao Movimento Associativo dos Italianos no Exterior (Maie) e é advogada.   

Filha de Antonio Laspro, postulante à Câmara dos Deputados, ela também é conselheira do Comitê dos Italianos no Exterior (Comites) e membro do Círculo Lucano do Brasil, entidade que reúne pessoas ligadas à região da Basilicata, no sul da Itália.   

Laspro também já foi candidata a vereadora em São Paulo pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC) e trabalha no patronato Enasco.   

As trocas comerciais entre Brasil e Itália caíram mais de 30% desde 2013, ano das últimas eleições legislativas italianas. O que a senhora propõe para recuperar as relações entre os dois países no âmbito do comércio? Isso eu acho que vai vir naturalmente agora, porque na verdade, com as próximas eleições brasileiras, italianas também, isso acho que naturalmente vai fluir agora. Porque estava muito desacreditado, o Brasil, então agora, naturalmente, isso vai fluir. Claro que temos que ficar de olho.   

Qual é a proposta da senhora para aproximar Brasil e Itália na cultura e no turismo? Com certeza mais cursos da língua italiana, mais divulgação da língua italiana. Temos poucos cursos aqui, poucas pessoas falando a nossa língua. A cidadania, todos querem, para viajar, para ter a cidadania em si, porém ninguém se aplica na fala, na língua italiana, que tambem é pouco divulgada. Então eu acho que a gente tem, sim, que ter mais cursos, mais divulgação da língua italiana aqui no Brasil, na América Latina toda. E quanto ao turismo, por si só as belezas naturais da Itália já está garantido.   

Nos últimos anos, apenas um primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, veio ao Brasil, e por causa das Olimpíadas. A Itália negligenciou as relações políticas com o Brasil e vice-versa? Eu acho que sim, não só com o Brasil, mas com todos os países fora da Itália. Todos os que estão no exterior, na minha opinião, sempre foram esquecidos, abandonados, e acabam ficando para um terceiro mundo, como às vezes dizem. Na minha opinião o Renzi veio para fazer propaganda para ele próprio, não foi para ver as nossas dúvidas, as nossas necessidades aqui. Veio, como você mesmo disse, por ocasião das Olimpíadas, e veio para ver as Olimpíadas, para assistir ao time dele.   

As eleições de outubro no Brasil podem facilitar a retomada das relações com a Itália? Com certeza. Não só com a Itália, mas com qualquer outro país, porque o Brasil do jeito que está hoje, está com total descrédito. A credibilidade vai voltar, independentemente do que acontecer, porque realmente entra um e sai outro, a crise toda, o que foi dito, roubo, o que acabou ficando da nossa imagem é muito feio. Então eu espero que, com as próximas eleições, isso melhore e a gente volte a ter um bom relacionamento com todos. A senhora é a favor da extradição de Cesare Battisti pelo governo brasileiro? Certeza. Fez, foi condenado e tem que pagar.   

Tem, sim, que ser extraditado. Os defensores de Battisti acusam a Itália de tentar interferir nas instituições do Brasil ao pedir novamente sua extradição, mesmo depois das decisões tomadas pelo presidente da República (Lula) e pelo Supremo Tribunal Federal. O que a senhora pensa dessa visão? Penso que o Lula foi um pouco parcial para o lado dele, para o bem dele próprio. O Lula não estava correto nessa não extradição. E quem fala isso é porque tá defendendo a si próprio o que acha que tem que ser pra si. O correto seria a extradição mesmo. Tem que ser extraditado. A comunidade de ítalo-descendentes no Brasil reclama bastante das filas para reconhecimento de cidadania nos consulados. O que a senhora propõe para melhorar essa situação? Isso é o maior absurdo, porque eu acho que, se a gente tem um direito, o direito tem que ser dado. Inclusive, por lei, é dois anos o prazo que as instituições têm para conceder essa cidadania para quem tem o seu direito por sangue. Então tem que andar. A minha proposta é que venham mais recursos, porque os consulados reclamam que não têm recurso. Inclusive foi cobrada agora essa taxa, que eu considero abusiva, mas o dinheiro que foi pago deveria ser revertido como foi a proposta feita. Então deveria ter sido revertida, sim, em favor dos consulados, para poder fazer um trabalho melhor e mais eficaz. A senhora é a favor da imposição de um limite de geração à concessão de cidadania jus sanguinis, como propôs um senador italiano no fim do ano passado? Na verdade, eu acho que não. Eu acho que, se a pessoa tem a documentação, consegue a documentação com clareza e que não gere nenhuma dúvida, se ela tem essa documentação, eu acho que tem que ser concedida, sim, a cidadania por sangue. Um dos projetos que ficaram pendentes na última legislatura italiana foi o do jus soli. Se eleita, a senhora defenderá a aprovação dessa lei? Não, eu acho que não tem que ser o jus soli. Tem que ser por sangue, realmente, e não tem que ser soli não. Nos últimos anos, a Itália foi destino de um dos maiores deslocamentos em massa desde a Segunda Guerra Mundial. Qual, na visão da senhora, deve ser a postura do governo para lidar com a crise migratória e de refugiados no Mediterrâneo? Eu não sei exatamente como te responder, mas, vamos lá. Eu acho que a Itália não está dando conta de todos os que estão entrando lá. Então se nós não temos emprego, não temos nada, nem para os italianos, quem dirá para os outros refugiados. Eu acho que, para fazer essa abertura toda, tem que ter uma estrutura que garanta para todos. Então é complicado. Quem é o candidato ou candidata da senhora a primeiro-ministro nas eleições de março? Bom, gostaria de ver alguém novo, alguém que não tivesse já passado por lá, porque quem já passou teve sua chance de fazer. E, pelo que me consta, não foi feito. Então alguém novo, com ótimas propostas, eu acho que alguém que traga bons resultados para a Itália. (ANSA)
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