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Pressionado, Putin suaviza reforma previdenciária

29/08/2018 08h57

MOSCOU, 29 AGO (ANSA) - Em um discurso à nação, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira (29) mudanças em seu impopular projeto de reforma previdenciária, às vésperas de protestos convocados pela oposição contra a iniciativa.   

O projeto foi apresentado pelo governo poucos meses depois da reeleição de Putin, em março passado, com quase 77% dos votos, e previa o aumento da idade mínima de aposentadoria de 60 para 65 anos no caso dos homens e de 55 a 63 anos para as mulheres.   

No entanto, em seu discurso à nação, o presidente disse que o índice para a população de sexo feminino passará a ser de 60 anos, embora tenha mantido a idade para os homens. Mães com pelo menos três filhos ainda terão "descontos" progressivos, podendo se aposentar até com 50 anos se tiverem cinco ou mais herdeiros.   

"O objetivo é garantir a estabilidade financeira do sistema de previdência para o futuro. É uma decisão difícil, mas necessária", declarou.   

Além disso, afirmou que os empregadores que demitirem ou se negarem a contratar, sem motivo justificado, pessoas próximas à idade de aposentadoria devem ser "passíveis de punição, tanto do ponto de vista administrativo como penal".   

A reforma previdenciária prevê um período de transição, mas fez a popularidade de Putin cair dos 77% que o elegeram para "apenas" 67% em poucos meses, índice baixo para o regime autocrático em vigor na Rússia. No país, a expectativa de vida é de 67 anos para homens e de 77 anos para mulheres, segundo o Banco Mundial.   

"Estou pedindo para vocês entenderem", afirmou o mandatário, explicando por que mudou de opinião sobre a necessidade de reformar a previdência. "Eu estava certo antes, porque nossa economia era muito frágil, e as aposentadorias eram a única fonte de renda de muitas pessoas", disse.   

No entanto, segundo Putin, a baixa taxa de natalidade a partir dos anos 1990 levou a "sérios problemas demográficos". O Partido Comunista convocou protestos contra a reforma para 2 de setembro, enquanto o líder de oposição Alexei Navalny, impedido de disputar as eleições passadas, marcou atos para uma semana depois.   

"Devemos sair às ruas em 9 de setembro e nos empenhar ao máximo para que essas manifestações tenham o maior poder possível", declarou Navalny, que cumpre pena de 30 dias de prisão administrativa por organizar manifestações sem autorização.   

(ANSA)
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