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Em meio a protestos, militares de Myanmar bloqueiam Facebook

No Facebook eram postados os vídeos e fotos das manifestações dos moradores, o que acabava incentivando mais e mais pessoas a participarem dos atos - KAREN BLEIER/AFP
No Facebook eram postados os vídeos e fotos das manifestações dos moradores, o que acabava incentivando mais e mais pessoas a participarem dos atos Imagem: KAREN BLEIER/AFP

04/02/2021 09h15

BANGKOK, 4 FEV (ANSA) - Os militares que deram um golpe de Estado em Myanmar bloquearam o acesso ao Facebook nesta quinta-feira (4) como forma de conter a organização de atos de desobediência civil e de controlar a comunicação contrária às Forças Armadas.

A versão oficial, segundo o general Min Aung Hlaing, é que o bloqueio vai seguir até o dia 7 de fevereiro para que a plataforma tenha "estabilidade". No Twitter, que ainda está funcionando, os moradores relatam que as restrições afetam todos os aplicativos do grupo, como o Instagram e WhatsApp.

Dos 54 milhões de habitantes, quase a metade da população tem acesso ao Facebook - são mais de 22 milhões de usuários. Após o golpe do dia 1º de fevereiro, a rede social se tornou a principal forma dos cidadãos acessarem notícias, já que todos os canais de TV e rádio estão sob controle dos militares. Também na plataforma estavam sendo organizados os atos de protesto contra as Forças Armadas, que vêm ganhando força dia após dia.

No Facebook eram postados os vídeos e fotos das manifestações dos moradores, o que acabava incentivando mais e mais pessoas a participarem dos atos.

A rede social de Mark Zuckerberg informou que fez acordos para permitir que o acesso às redes sociais do grupo não use dados de planos para aqueles que conseguirem acessá-los, através de VPNs, por exemplo. "Nós pedimos que as autoridades restaurem a conectividade para que as pessoas em Myanmar possam se comunicar com familiares e amigos e acessem informações importantes", publicou em nota o Facebook.

O golpe de estado ocorreu no dia em que os parlamentares eleitos em 8 de dezembro tomariam posse. No pleito, o partido da líder "de facto" do país, Aung San Suu Kyi, e do presidente Win Myint teve uma vitória avassaladora, com 70% dos votos. A Nobel da Paz de 1991 não pode assumir como chefe de Estado por ter filhos com um homem estrangeiro, por isso, atuava como conselheira da Presidência.

Ao verem seu poder diminuindo, os militares derem um golpe dizendo ter ocorrido "fraude eleitoral" e prenderam os dois líderes.

No entanto, nesta quarta-feira (3), a acusação contra os dois foram diferentes: Suu Kyi pode pegar até dois anos de prisão por ter importado ilegalmente rádios de comunicação, um deles foi encontrado na casa dela durante o dia do golpe. Os comunicadores eram usados pela líder para falar com os agentes que faziam a proteção oficial dela.

Já o presidente foi acusado de "violar uma lei sobre gestão de catástrofes naturais".

Com exceção da China, que se disse "preocupada" com o que ocorre em Myanmar, as grandes potências do mundo condenaram o golpe e exigem a libertação de Suu Kyi e Myint imediatamente e a retomada da normalidade democrática.

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