"Panama Papers" coloca online dados de mais de 200 mil empresas

  • Arte/UOL

O escândalo dos chamados "Panama Papers" ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (9), quando foi disponibilizado online mais um imenso banco de dados, com documentos sobre mais de 200 mil contas offshore.

Os dados ficaram acessíveis online às 15h (horário de Brasília) no site offshoreleaks.icij.org. A lista traz milhares de 200 empresas de fachada, fundações e fundos criados em 21 paraísos fiscais pelo mundo.

Quando o escândalo veio à tona, cerca de 11 milhões de documentos confidenciais foram vazados, revelando a forma como algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo, incluindo diversos chefes de Estado, usam paraísos fiscais.

A posse de contas offshore em si não é ilegal, desde que declarada ao Fisco. Mas o sistema muitas vezes serve para ocultar fortunas, evadir impostos ou lavar dinheiro obtido por meio de corrupção.

Os documentos divulgados pertencem ao escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca e dão indícios de como a empresa teria ajudado clientes a evitar sanções e pagamento de impostos e a lavar dinheiro. O escritório nega as acusações e afirma que opera há 40 anos legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime.

O vazamento foi feito por uma pessoa cuja identidade não foi revelada.

Na semana passada, o escritório Mossack Fonseca emitiu uma ordem chamada "pare e desista", para tentar evitar que o banco de dados fosse tornado público, mas a organização que possui os documentos --o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês)-- parece ter decidido seguir em frente mesmo assim.

Interesse público

O ICIJ afirma que o banco de dados disponibilizado nesta segunda-feira não é uma espécie de depósito de dados, como o Wikileaks.

"O banco de dados não inclui registros de contas bancárias e transações financeiras, e-mails ou outras trocas de informações, dados de passaportes ou números de telefone. Estão sendo publicadas informações selecionadas e limitadas de interesse público."

Ainda nesta segunda-feira, 300 economistas assinaram uma carta com um apelo a líderes mundiais para que coloquem fim aos paraísos fiscais, argumentando que eles só beneficiam indivíduos ricos e multinacionais, ampliando a desigualdade social.

"A existência de paraísos fiscais não colabora com a riqueza de todos ou o bem-estar global, não são ferramentas econômicas úteis", afirma a carta.

Desigualdade

Na semana passada, a pessoa responsável pelo vazamento divulgou um depoimento citando a "desigualdade de renda" como um dos motivos que a levou a divulgar os dados.

"Fracassaram bancos, reguladores do sistema financeiro e autoridades fiscais. Foram tomadas decisões que acabaram poupando os ricos e controlando apenas os cidadãos de renda baixa ou média", afirmou.

A pessoa disse ainda que nunca trabalhou para uma agência de espionagem nem para nenhum governo e que ajudou autoridades em troca de imunidade.

Os documentos mostram ligações com 72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo, entre eles ditadores acusados de saquear seus próprios países. Incluem também centenas de políticos, funcionários de diferentes governos, celebridades e esportistas.

A lista traz mais de 200 empresas de fachada, fundações e fundos criados em mais de 20 paraísos fiscais pelo mundo. No Brasil, há menção a parentes ou pessoas ligadas a sete partidos políticos.

No restante da América Latina, são mencionados nos "Panama Papers" o presidente argentino, Mauricio Macri, o jogador de futebol Lionel Messi, um primo do presidente do Equador e empresários relacionados ao presidente do México, Enrique Peña Nieto.

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