Como criadora de app usou tequila como arma para popularizar site de paquera lésbica

Suzanne Bearne - Business reporter

Quando Robyn Exton lançou seu app de paquera para mulheres lésbicas e bissexuais, em 2013, a falta de anunciantes fazia com que ela percorresse casas noturnas munida de garrafas de destilados.

"Nos primeiros dias, frequentava casas norturnas com uma garrafa de sambuca em uma mão e uma de tequila na outra, incentivando as meninas a baixarem o app em troca de um shot", diz Robyn, de 29 anos.

Além disso, em festivais LGBT no Reino Unido, ela ficava de prontidão do lado de fora de banheiros químicos com filipetas promovendo seu aplicativo.

O esforço de Robyn foi recompensado. O número de usuários cresceu e, desde então, vem ganhando força graças ao boca a boca positivo.

Fundado em Londres, o Her tem mais de um 1 milhão de usuárias em todo o mundo. Recentemente, também mudou de cidade ? a empresa deixou a capital britânica rumo a San Francisco, na Califórnia (EUA), para ficar mais perto de investidores e da pulsante cena digital.

'Crazy'

O Her nasceu da frustração de Robyn com os atuais aplicativos e sites de namoro lésbico, que ela não considerava bons o bastante.

A empresária diz que o mercado estava dominado por "sites de paquera que foram inicialmente criados por homens gays, e ganharam nova roupagem para lésbicas".

Robyn fala com conhecimento de causa. Antes de criar seu app, ela trabalhava em uma agência de publicidade em Londres, onde um de seus clientes criava plataformas de namoro online.

Mas a ideia surgiu quando ela estava em um bar com duas amigas ? uma delas havia acabado de terminar um namoro.

"Sugerimos que ela tentasse encontrar alguém em um desses sites de namoro; afinal, não havia outra alternativa".

"Foi doido porque eu conhecia esse setor por causa do meu cliente e pensei, 'isso é realmente o melhor que existe no mercado para as mulheres? É humilhante me ver forçada a usá-los'".

Robyn decidiu, então, pedir demissão e começou a trabalhar no desenvolvimento de seu aplicativo.

Ela voltou a morar com o pai para guardar dinheiro, trabalhou em um bar durante a noite e nos fins de semana, e aprendeu sozinha a fazer programação no computador.

Com 10 mil libras (R$ 50 mil), Robyn lançou o primeiro protótipo do Her em 2013, com o nome de Dattch (uma mistura das palavras date (namoro) e catch (pegada) em inglês".

Mas lhe faltavam apoio técnico e conhecimento sobre como gerir um negócio.

Robyn conseguiu, então, participar do Wayra, uma aceleradora de start-ups da empresa de telecomunicações Telefônica.

Inicialmente criado para ser um aplicativo de paquera, o 'Her' diversificou seu conteúdo, incluindo uma seção de notícias e outra de eventos.

"Quisemos transformar o app numa experiência social para nossas usuárias", diz Robyn.

"A maior parcela delas está em um relacionamento, mas usa o app para descobrir o que está acontecendo na cidade, ler conteúdo LGBT e fazer amigos", explica.

Em março de 2015, veio outra grande mudança: Robyn rebatizou o app de 'Her'.

"As pessoas não conseguiam soletrar Dattch", justifica.

Versão paga

Desde seu lançamento, o Her levantou US$ 2,5 milhões (R$ 8,9 milhões) com investidores americanos como Michael Birch, fundador da rede social Bebo, e Alexis Ohanian, co-fundador da plataforma de notícias Reddit.

No entanto, ainda não gerou lucro, já que Robyn se concentrou primeiro em ganhar visibilidade no mercado.

Para a analista de tecnologia Britanny Carter, da consultoria IbisWorld, apps como o Her, que se baseia em dados demográficos específicos, são capazes de ganhar um nicho de mercado dentro do universo de paqueras online.

"Incluir conteúdo para atrair mais usuários é uma excelente forma para estimular o uso do app, especialmente quando a base de usuários é pequena e o crescimento, crítico".

Mas Carter alerta que o aplicativo tem de olhar a concorrência.

"Como muitos apps de paquera, os custos de mudança de aplicativos é baixo, então o Her poderá enfrentar concorrência de outros apps de olho no mercado lésbico", acrescenta a especialista.

'Penetras'

Agora baseada em San Francisco, na Califórnia, junto com cinco colegas (outras duas permaneceram em Londres), Robyn diz que um de seus maiores desafios é evitar que homens invadam o serviço.

Ela estima que 15% dos que baixam o app são, na verdade, homens fingindo ser mulheres.

Para evitar isso, as usuárias são obrigadas a confirmar seu gênero ao entrar no aplicativo, por meio de suas contas no Facebook ou no Instagram.

Paralelamente, há outros mecanismos de segurança. Usuárias são convidados, por exemplo, a "denunciar quem não respeita a comunidade".

Robyn diz ficar orgulhosa de ouvir histórias sobre mulheres que foram capazes de "explorar sua sexualidade" graças ao aplicativo.

Ela recorda um episódio envolvendo uma menina que a abordou ao término de um evento.

"Ela só queria me agradecer", diz Robyn. "Ela descobriu o Her...e pôde se encontrar com mulheres com perfil parecido ao dela, que não a julgaram pelo que ela era e que a fizeram sentir-se bem", conta.

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