"Pais fundadores" da UE pressionam britânicos por saída rápida

  • John Macdougall/AFP

    Da esquerda para a direita, os ministros das Relações Exteriores Jean Asselborn (Luxemburgo), Paolo Gentiloni (Itália), Frank-Walter Steinmeier (Alemanha), Didier Reynders (Bélgica), Jean-Marc Ayrault (França) e Bert Koenders (Holanda) dão coletiva em Villa Borsig, em Berlim, na Alemanha, sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

    Da esquerda para a direita, os ministros das Relações Exteriores Jean Asselborn (Luxemburgo), Paolo Gentiloni (Itália), Frank-Walter Steinmeier (Alemanha), Didier Reynders (Bélgica), Jean-Marc Ayrault (França) e Bert Koenders (Holanda) dão coletiva em Villa Borsig, em Berlim, na Alemanha, sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

Os países fundadores da União Europeia afirmaram neste sábado (25) seu desejo por uma negociação rápida para a saída do Reino Unido, depois de 52% dos britânicos votarem pelo fim da permanência no bloco no plebiscito de quinta-feira.

Em uma reunião de emergência de ministros das Relações Exteriores, realizada em Berlim, o representante alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse que as negociações precisam começar "o mais rápido possível".

A pressão da UE vai contra a agenda britânica: na quinta-feira, o premiê David Cameron, que fez campanha pela permanência no bloco, anunciou que deixará o cargo até outubro e que o processo de saída será conduzido por seu sucessor.

Mesmo lideranças pró-saída, como o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, disseram não haver pressa para as conversas.

No entanto, o ministro francês das Relacões Exteriores, Jean-Marc Ayrault, foi veemente ao afirmar que Londres precisa acionar imediatamente a Cláusula 50 do Tratado de Lisboa, que rege o processo de saída de um país da UE.

"O povo britânico expressou sua vontade (nas urnas). Não queremos brincadeiras", disse Ayrault, ao final da reunião, de que participaram França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Itália e Holanda, os países signatários do Tratado de Roma, que em 1957 marcou o início do processo de união política e econômica europeia.

Steinmeier disse que a ruptura britânica não pode ser um obstáculo para a estabilidade da UE.

"Estamos aqui para dizer que esse processo precisa começar logo, para que não fiquemos no limbo".

Em entrevista à mídia alemã, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também foi taxativo ao dizer que não espera um "divórcio amigável" com os britânicos.

"Não faz sentido esperar até outubro para negociar os termos de saída, pois os britânicos já decidiram que querem ir embora. De qaulquer maneira, nunca estivemos em um caso de amor profundo", declarou Juncker.

A pressa se justifica principalmente pelo temor em Bruxelas de que o resultado do plebiscito britânico ecoe por ainda mais tempo se o bloco de 28 nações mostrar leniência diante da inédita partida de um integrante.

Em países como a própria França, partidos "eurocéticos" aproveitaram o "não" vindo do outro lado do Canal da Mancha para exigir o mesmo tipo de consulta popular de seus governos.

A UE também promete dureza com Londres para evitar uma situação em que os britânicos consigam uma barganha político-econômica (permanência no mercado comum com maior controle de imigração, por exemplo) que possa despertar a cobiça de outros países-membros.

Na reunião de emergência, em Berlim, os ministros não se pronunciaram sobre outro problema criado pelos britânicos: uma possível nova tentativa de independência por parte da Escócia, em que a votação pró-EU passou de 60%.

Neste sábado, a líder do governo escocês, Nicola Sturgeon, anunciou que o país quer conversas imediatas com Bruxelas para "proteger o lugar da Escócia na UE".

Um dia antes, Sturgeon afirmara ter dado o pontapé inicial em estudos para a realização de um segundo plebiscito de independência escocesa - em 2014, 55% dos escoceses votaram pela permanência no Reino Unido.

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