Suspeito de ataque em Berlim foi monitorado pela polícia; o que se sabe até agora

Uma operação está em curso em vários países europeus depois que autoridades alemãs identificaram um novo suspeito do ataque com um caminhão a um mercado de Natal em Berlim.

Um mandado de prisão foi emitido à meia-noite de quarta-feira (hora local).

O novo suspeito foi identificado como o tunisiano Anis Amri, de 24 anos. Ele chegou a ser monitorado pela polícia no início deste ano por suspeita de planejar um roubo para pagar por armas.

Mas o monitoramento acabou suspenso por falta de provas.

Antes de entrar na Alemanha, no entanto, ele havia cumprido pena de quatro anos na Itália por incêndio criminoso.

Autoridades alemãs dizem que Amri pode estar armado e ser perigoso.

A recompensa oferecida por qualquer informação que leve à sua captura é de 100 mil euros (R$ 347 mil).

A operação ocorre em todos os países do chamado Espaço Schengen, uma zona de livre circulação que abrange grande parte da União Europeia, além da Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

O atentado ocorreu na noite de segunda-feira e deixou 12 mortos e 49 feridos, 18 deles em estado grave.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se reuniu com seu gabinete de segurança para discutir a investigação sobre o ataque.

Abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o atentado:

1. Quem é o novo suspeito?

O novo suspeito foi identificado como o tunisiano Anis Amri, de 24 anos ? o visto de residência dele foi encontrado na cabine do caminhão.

Fontes na Justiça da Alemanha afirmaram que Amri, que teria entrado no país no ano passado, chegou a ser monitorado em Berlim entre março e setembro por suspeita de planejar um roubo para pagar por armas automáticas que usaria em um ataque.

Mas o monitoramento teria sido suspenso por falta de provas.

Ralf Jaeger, o ministro do Interior do Estado da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste da Alemanha, confirmou que Amri havia atraído a atenção da unidade de contraterrorismo da polícia.

"As agências de segurança trocaram informação e descobertas sobre essa pessoa com o centro de contraterrorismo conjunto em novembro de 2016", afirmou Jaeger.

A imprensa alemã informou que Amri viajou à Itália em 2012 e depois à Alemanha em 2015, onde solicitou asilo e recebeu uma permissão de permanência temporária em abril deste ano.

Ele também seria conhecido por usar seis nomes falsos e tentado se passar como egípcio ou libanês.

De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, o suspeito faria parte do círculo de um clérigo islâmico radical, Ahmad Abdelazziz A., conhecido como Abu Walaa, que foi preso em novembro.

Amri seria deportado da Alemanha, mas o processo atrasou porque a Tunísia demorou em enviar os documentos necessários para a deportação.

A polícia acredita que ele possa ter se ferido ao lutar com o motorista do veículo, encontrado morto no banco do passageiro.

Um irmão do suspeito que vive na Tunísia, Abdelkader Amri, afirmou à agência de notícias AFP que não acreditou quando viu o rosto dele no noticiário.

"Estou em choque e não posso acreditar que ele cometeu esse crime", disse ele. "Se ele for culpado, merece pagar pelo crime", acrescentou.

O pai de Amri e forças de segurança afirmaram a uma rádio da Tunísia que o suspeito deixou o país há sete anos e que passou quatro deles cumprindo pena em uma prisão da Itália por incendiar uma escola.

Ele também foi condenado a cinco anos de prisão à revelia na Tunísia por suposto roubo agravado com violência.

Na terça-feira, a polícia soltou o então único suspeito ? que, segundo a imprensa local, seria um paquistanês de 23 anos identificado como Naved B. Ele havia solicitado refúgio no país no ano passado.

Segundo as autoridades, não havia provas concretas contra ele.

2. Quem era o motorista?

O motorista do caminhão foi identificado como o polonês Lukasz Urban e, segundo a polícia, pode ter sido morto pelo autor do ataque.

Seu corpo foi encontrado no banco do carona com tiros e ferimentos a faca.

Investigadores citados pela imprensa alemã dizem que, apesar de ter sido esfaqueado, Urban lutou com o agressor pelo comando do volante.

Um deles afirmou ao tabloide Bild que a necropsia parece revelar que o motorista sobreviveu às facadas, mas foi morto a tiros quando o caminhão parou. Nenhuma arma foi encontrada no local.

Segundo o mesmo jornal, o caminhão foi sequestrado na tarde de segunda-feira dentro de uma zona industrial no noroeste de Berlim.

Urban teria parado ali após uma entrega que deveria fazer ter sido adiada.

Dados do GPS do caminhão mostram pequenos movimentos "como se alguém estivesse aprendendo a dirigi-lo" antes de deixar a cidade às 19h40 (hora local), em direção ao mercado de Natal.

Ariel Zurawski, proprietário da transportadora à qual pertencia o veículo, afirmou que a polícia lhe pediu para identificar Urban por foto.

"O rosto dele estava inchado e ensanguentado", afirmou ele à rede de TV alemã TVN. "Estava realmente claro que ele lutou por sua vida."

O diretor da empresa, Lukasz Wasik, descreveu Urban como "uma pessoa honesta, silenciosa e boa" e afirmou acreditar que ele defenderia o caminhão "até o fim".

3. Quais medidas as autoridades tomaram?

A segurança foi reforçada na cidade, com mais policiais nas ruas. Barreiras foram instaladas nos mercados para impedir ataques similares.

"Ninguém vai descansar enquanto o autor ? ou os autores ? não for capturado", disse o ministro Maizière.

O prefeito de Berlim, Michael Mueller, afirmou não haver necessidade de pânico, mas acrescentou que "a melhor coisa é manter os olhos abertos ? ficar atento nessas situações".

4. Alguém reivindicou a autoria do atentado?

Sim. O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado.

Segundo a organização jihadista, um de seus "soldados" realizou o ataque "em resposta às convocações para atingir cidadãos dos países que fazem parte da coalizão" que combate o grupo.

O EI controla partes dos territórios da Síria e do Iraque.

No entanto, o grupo extremista não ofereceu provas nem identificou o autor do atentado. Mas o procurador federal alemão Peter Frank afirmou a jornalistas que o estilo do ataque e a escolha do alvo sugerem relação com o extremismo islâmico.

5. O que aconteceu?

Por volta das 20h15 (horário local) de segunda-feira, um caminhão avançou contra o público em um dos mais movimentados mercados de Natal de Berlim, em Breitscheidplatz, perto do Kurfürstendamm, a principal rua comercial do centro da cidade, repleto de moradores e turistas.

O local fica ao lado da ruína da igreja Kaiser Wilhelm, que foi bombardeada durante a 2ª Guerra Mundial e preservada como um símbolo dos horrores do conflito.

O caminhão de 25 toneladas carregava vigas de aço e teria arrastado tudo o que cruzou pela frente por cerca de 50 a 80 metros.

6. Foi o primeiro ataque do tipo?

Esse é o quinto ataque na Alemanha neste ano - os quatro primeiros ocorreram ao longo de apenas uma semana em julho passado.

No dia 18 daquele mês, um adolescente afegão refugiado no país atacou um trem, deixando cinco feridos antes de ser morto. Quatro dias depois, um adolescente alemão descendente de iranianos matou nove pessoas a tiros em Munique antes de se suicidar.

No dia 24, um refugiado sírio de 21 anos matou uma mulher com uma machadinha e deixou cinco feridos antes de fugir e ser preso. Algumas horas depois, um sírio de 27 anos - que teve de pedido de asilo negado - explodiu a si mesmo do lado de um bar. Quinze pessoas se feriram.

Serviços de segurança afirmaram que os ataques não tinham ligação entre si e que não é possível dizer que o ataque do dia 22 daquele mês foi um ato terrorista, já que motivações políticas foram descartadas.

O incidente de segunda-feira em Berlim evocou lembranças do ataque com um caminhão no Dia da Bastilha em Nice, na França, em 14 de julho, quando 86 pessoas foram mortas. Na época, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico também reivindicou a autoria do atentado.

Tanto o EI quanto a Al-Qaeda tinham instruído seus seguidores publicamente a usarem caminhões em ataques contra multidões.

8. Como tem sido a política da Alemanha com os refugiados?

A tensão vem aumentando desde os ataques cometidos em julho. Existe a preocupação de que ao alto influxo de refugiados pode permitir a entrada de combatentes extremistas.

A chanceler Merkel disse estar "em choque e muito triste", mas acrescentou: "Não queremos viver com medo do mal, senão os inimigos da liberdade já terão vencido".

Autoridades disseram que o ataque a um mercado de Natal é "simbólico", mas afirmaram ser impossível transformar esses locais em "fortalezas" para protegê-los de novas ações do gênero.

O Ministério Público afirmou ainda que não é possível prevenir todo e qualquer tipo de ataque, e que deve-se esperar por ações semelhantes a esta no futuro.

Merkel afirmou que seria "especialmente repugnante" se o autor do ataque fosse uma pessoa "que pediu proteção e refúgio à Alemanha" e prometeu aplicar "as penas mais duras permitidas pela lei" para punir os responsáveis.

A chanceler instituiu no país uma política de abertura para imigrantes. No ano passado, 890 mil refugiados em busca de asilo chegaram à Alemanha. Críticos à medida disseram que ela era um risco à segurança.

Marcus Pretzell, membro do partido populista de direita AfD, que defende políticas anti-imigração, culpou Merkel e sua política pelo ataque.

Por sua vez, Horst Seehofer, líder do CSU, partido-irmão da legenda de Merkel na Baviera, pediu que a chanceler "repense e mude sua política de imigração e segurança" após o ocorrido na segunda-feira.

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