Risco na neve com dezenas de quilos nas costas: a vida de um contrabandista na fronteira Irã-Iraque

Em um ponto da fronteira entre os lados iraquiano e iraniano do Curdistão, centenas de camionetes chegam trazendo mercadorias.

Os produtos serão contrabandeados do Iraque para o Irã, como ocorre todos os dias, em grandes volumes carregados nas costas pelos iranianos que fazem a travessia.

O mesmo ocorre em diversos outros pontos montados ao longo da fronteira, que fica a 4 mil metros de altitude.

Esses contrabandistas curdos dizem que a atividade tem ficado mais difícil e perigosa.

Geralmente é preciso subornar os guardas do posto de controle para fazer a travessia. Quando a propina não é aceita, eles fazem o trajeto a pé em meio a campos minados.

Também há o risco de serem alvejados. Segundo grupos de direitos humanos, mais de cem deles foram mortos a tiros por guardas.

Os contrabandistas vêm de vilarejos muito pobres e contam com essa atividade para ter uma renda.

É com o dinheiro ganho desta forma que Hez, de 70 anos, cuida de seus cinco filhos. Ele diz ganhar US$ 25 (R$ 80) por um carregamento de pneus.

"Mas, se desconto os custos com o carro e motocicleta que uso no transporte, sobra de US$ 10 a US$ 12", afirma ele.

Há dois meses, Hez teve um AVC. Agora, tem uma infecção nos dentes. Mesmo assim, continua a trabalhar para garantir o sustento de sua família.

"Já fiz 11 operações. Teria que pagar US$ 45 mil para consertar meu rosto, mas não tenho esse dinheiro."

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