A conexão brasileira que levou o ex-presidente do Peru Ollanta Humala e sua mulher à prisão

  • Reuters

A Justiça peruana decretou, nesta quinta-feira, a prisão preventiva, por 18 meses, do ex-presidente do país Ollanta Humala, e sua mulher, Nadine Heredia. Eles respondem por associação criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo doações irregulares da construtora brasileira Odebrecht.

O casal nega as acusações, mas se apresentou na noite desta quinta-feira ao Palácio da Justiça de Lima, na capital do país.

A construtora teria doado ao casal US$ 3 milhões (R$ 9,6 milhões) para a campanha eleitoral de 2011, quando Humala assumiu a presidência do Peru e na qual permaneceu até 2016.

A Promotoria também investiga doações de empresas venezuelanas à sua campanha de 2006, ano que Humala foi derrotado por Alan García.

O juiz Richard Concepción Carhuancho, que aceitou o pedido do procurador Germán Juárez Atoche, acredita que há provas de que o casal recebeu dinheiro do Brasil e da Venezuela para custear as campanhas presidenciais de 2006 e 2011.

Carhuancho considerou a prisão preventiva "necessária" por existir risco de fuga e pedido de asilo pelos investigados.

Antes que a medida fosse anunciada, agentes de polícia se dirigiram à residência dos Humala, localizada em Surco, um distrito da capital peruana de Lima. E, minutos após a divulgação da Justiça, o casal deixou o local em direção ao escritório do juiz.

O Peru não é o único país onde há investigações envolvendo desdobramentos da Operação Lava Jato.

Delatores têm relevado esquemas de corrupção em países da Europa, África e Américas. Além do Peru, só na América Latina há casos em investigação no Chile, na Colômbia, na Argentina, na Venezuela, na República Dominicana, entre outros.

dos direitos de todos", escreveu.

Nadie Heredia também tuitou: "Obrigada a todos que não condenam antes do tempo e que acreditam na inocência até que se prove o contrário. Hoje elas não foram apresentadas".

"Apesar da arbitrariedade, estamos aqui, acreditamos que a decisão será revertida... Confiamos no nosso país!", acrescentou.

Seus advogados já afirmaram que vão recorrer da decisão da Justiça.

Toledo e Fujimori

Humala é o segundo ex-presidente peruano a ter uma ordem de prisão decretada por suposto envolvimento com atividades ilícitas relacionadas à Odebrecht.

Em abril, a Justiça determinou a prisão de Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, por lavagem de dinheiro e recebimento de propina da empreiteira. Toledo hoje vive nos Estados Unidos, e o Peru pede sua extradição. 

Humala também é o segundo ex-presidente a ser preso na história do país.

Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, cumpre pena de 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade.

Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht teria pago ainda US$ 29 milhões (R$ 93 milhões) em propinas no Peru entre 2005 e 2014, período que compreende os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Humala.

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