Por que Guatemala seguiu EUA e vai mudar embaixada em Israel para Jerusalém?

Arturo Wallace

BBC Mundo

  • AFP

    A Guatemala tem um vínculo histórico com Israel

    A Guatemala tem um vínculo histórico com Israel

A Guatemala anunciou neste domingo (24) que planeja transferir sua embaixada em Israel para Jerusalém, acompanhando uma decisão semelhante dos Estados Unidos.

O presidente guatemalteco, Jimmy Morales, afirmou no Facebook que pediu a seu chanceler que inicie os procedimentos para mudar a embaixada que atualmente está em Tel Aviv --onde fica quase a totalidade das representações estrangeiras em Israel.

Morales diz ter discutido o tema com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e que os dois países mantêm excelentes relações desde que a Guatemala apoiou a criação do Estado de Israel, em 1948.

O chanceler israelense, Emmanuel Nahshon, elogiou no Twitter o gesto. "Obrigado, Guatemala, por sua importante decisão de mudar sua embaixada para Jerusalém. Ótima notícia e amizade verdadeira!"

A Guatemala foi o segundo país a votar a favor do reconhecimento de Israel pela ONU (os Estados Unidos foram o primeiro) e a primeira nação latino-americana a estabelecer laços diplomáticos com o Estado judaico.

Também foi a primeira nação a abrir uma embaixada em Jerusalém e a manteve até 1980, quando seguiu os demais países e transferiu a missão para Tel Aviv.

O país centro-americano integrou ainda a Comissão Especial para a Palestina, grupo na ONU que advogou a criação do Estado judaico. Em Tel Aviv, há uma rua batizada em homenagem ao diplomata guatemalteco Jorge García Granados - sinal da amizade histórica entre os dois países.

Ajuda externa

Há indícios, porém, de que a decisão sobre a transferência da embaixada também tenha sido influenciada pela importância dos Estados Unidos para a Guatemala.

Em 2016, segundo a USAID (agência de cooperação internacional dos EUA), a Guatemala recebeu cerca de US$ 297 milhões (R$ 991 milhões) dos Estados Unidos em ajuda externa. O país é o terceiro maior receptor da ajuda dos EUA na América Central.

Na semana passada, o presidente Donald Trump ameaçou cortar os repasses para países que votassem a favor de uma resolução da ONU que condenou a decisão americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

A Guatemala foi um dos nove países a votar contra a resolução, ao lado de Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo - além dos EUA e de Israel.

Já 128 países condenaram o ato de Trump, que representou uma guinada na postura histórica dos EUA em relação ao conflito israelo-palestino. Outros 35 países se abstiveram, e 21 não compareceram à votação. Mas a resolução não tem efeitos práticos.

A decisão do governo guatemalteco também pode ter sido estimulada pela influente comunidade judaica no país e por igrejas evangélicas locais simpáticas à causa israelense.

AFP
O presidente da Guatemala, Jimmy Morales, comunicou decisão ao primeiro-ministro isralense, Benjamin Netanyahu

O status de Jerusalém é um tema polêmico. Israel considera a cidade inteira como sua capital, mas os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino.

Hoje todos os países --inclusive o Brasil-- mantêm suas embaixadas em Tel Aviv, a maior cidade israelense.

Após a decisão de Trump, o governo brasileiro divulgou uma nota afirmando que "o status final da cidade de Jerusalém deverá ser definido em negociações que assegurem o estabelecimento de dois Estados vivendo em paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas e com livre acesso aos lugares santos das três religiões monoteístas [cristianismo, judaísmo e islamismo]".

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