O que se sabe sobre o tiroteio que deixou pelo menos 17 mortos em escola na Flórida

Ricardo Senra - @ricksenra - Da BBC Brasil em Washington

Pelo menos 17 pessoas, entre estudantes e adultos, morreram depois que um atirador abriu fogo contra alunos da escola pública Marjory Stoneman Douglas de Parkland, uma cidade de pouco mais de 30 mil habitantes na Flórida, nos Estados Unidos.

Há ainda pelo menos outras 15 vítimas hospitalizadas.

Em seu discurso pós-ataque, o presidente Donald Trump não fez nenhuma menção a controle de armas, mas prometeu ações para lidar com pessoas com transtornos mentais.

"Nossa administração está trabalhando em parceria com as autoridades locais para investigar o ataque e apurar tudo o que pudermos. Estamos empenhados em trabalhar com líderes estatais e locais para ajudar a proteger nossas escolas e enfrentar a difícil questão da saúde mental", disse o presidente americano.

As autoridades divulgaram novas informações sobre o jovem apontado como responsável pelo ataque, Nikolas Cruz. Ele tem 19 anos, tinha sido expulso da escola por "motivos disciplinares" e foi detido cerca de duas horas após o ocorrido.

Cruz, que já foi formalmente acusado pelos 17 assassinatos premeditados, teria deixado um comentário no YouTube no ano passado afirmando: "Eu vou ser um atirador de escola profissional".

Um usuário alertou as autoridades para o post. O FBI disse que investigou o comentário na rede social, mas não conseguiu identificar plenamente a pessoa que o postou.

Os professores também foram avisados de que Cruz não poderia entrar no campus com uma mochila, segundo relatos da imprensa americana.

Cruz estava armado com um fuzil AR-15. Os primeiros tiros foram registrados pouco antes do fim das aulas na tarde de quarta-feira, por volta das 15h (horário local). O ataque começou do lado de fora da escola e depois chegou às dependências internas.

O colégio tem 3,2 mil estudantes. Entre as vítimas fatais, 12 morreram dentro da escola e outras três foram atingidas do lado de fora. Outras duas morreram no hospital.

O Consulado-Geral do Brasil na Flórida informou que "até o momento não tem informações a respeito das nacionalidades das vítimas do tiroteio".

"Temos conhecimento de alguns estudantes brasileiros nessa escola, mas que se encontram bem e sob segurança", prosseguiu o órgão.

A brasileira Kemily dos Santos Duchini, de 16 anos, que estuda há quatro anos na Marjory Stoneman Douglas, relatou à BBC Brasil os momentos de tensão.

"Estávamos fazendo tarefa e a primeira coisa que escutamos foram quatro tiros e barulhos altos, como se alguém estivessem jogando algo muito pesado no chão. Nós ouvíamos homens gritando e não entendíamos. Os tiros estavam se aproximando da minha sala", contou.

Suspeito

O senador democrata Bill Nelson, que representa a Flórida no Congresso americano, disse em entrevistas à imprensa que o FBI (a polícia federal americana) lhe informou que Cruz estava claramente preparado para o ataque, pois usava máscara para gás e carregava granadas de fumaça.

Ele também teria enganado os estudantes do colégio fazendo o alarme de incêndio disparar, o que teria levado alunos a deixarem as salas de aula.

Segundo o chefe de polícia, os investigadores estão dissecando as redes sociais e os rastros deixados pelo jovem na internet - haveria conteúdos "muito, muito perturbadores", afirmou.

Estudantes do colégio disseram que Cruz era obcecado por armas e que já havia ameaçado colegas. Segundo o jornal Miami Herald, entre os motivos da expulsão dele estariam brigas e o fato de ele ter levado munição na mochila.

Há relatos de que o jovem sofria de depressão, o que teria se agravado com a morte da mãe adotiva, no fim do ano passado. O pai já havia morrido, e ele estava morando na casa de um amigo.

Vídeos aéreos transmitidos pela TV americana mostraram a movimentação de policiais e estudantes enquanto o atirador ainda estava na Marjory Stoneman Douglas.

Nas imagens, alunos corriam em fila para fora do colégio e pessoas eram atendidas em um gramado nos arredores da unidade. Pelo menos uma pessoa foi vista sendo carregada de maca em direção a uma ambulância.

"É uma tragédia de partir o coração", afirmou Robert Runcie, superintendente das escolas públicas da região.

Muitos dos estudantes teriam pensado que se tratava de um teste de incêndio - um exercício do tipo teria sido realizado na manhã.

Algumas das vítimas

Aaron Feis

Um dos atingidos foi Aaron Feis, um treinador de futebol americano muito querido pelos estudantes, que também atuava como vigia na escola.

Segundo testemunhas, Feis arriscou a própria vida para garantir a segurança dos alunos, usando o corpo como escudo para impedir que os estudantes fossem alvejados. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas a morte foi confirmada pelo time de futebol que ele treinava.

"É com grande tristeza que nossa família do futebol recebeu a notícia da morte de Aaron Fies. Ele era nosso técnico assistente e segurança. Ele, altruisticamente, protegia os estudantes do atirador, quando foi atingido. Morreu como herói e nunca será esquecido nos nossos corações e memórias", diz uma postagem do MS Douglas Footbal, noTwitter.

Jaime Guttenberg

Fred e Jennifer Guttenberg estavam entre aqueles que foram às redes sociais para tentar localizar seus filhos desaparecidos na noite de quarta-feira.

Enquanto seu filho Jesse conseguiu voltar para casa com segurança, sua filha Jaime ficou gravemente ferida.

Sua página do Facebook foi transformada em memorial e seu pai confirmou sua morte, agradecendo às pessoas pelas mensagens de apoio.

Alyssa Alhadeff

Uma fotografia de Alyssa Alhadeff foi amplamente compartilhada no Facebook por sua prima Melissa Dibble, que fez um apelo para que as pessoas ajudassem a encontrar a adolescente desaparecida.

Mais tarde, ela confirmou na página do Facebook que a aluna morreu aos 15 anos de idade.

Outra prima, Ariella Del Quaglio, disse que seu "coração está partido" com a perda.

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