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O homem que ensinou a Trump tudo que ele sabe sobre o Twitter

O presidente dos EUA, Donald Trump - Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump Imagem: Reuters

17/01/2019 10h16

Por sugestão de um funcionário, o então empresário criou uma conta no Twitter em 2009, mas não dava muita bola para ela - até um episódio em 2011, que mudou sua visão sobre a rede social.

A história começou em 2011.

Foi neste ano que Justin McConney, formado havia apenas três anos em cinema, tornou-se o primeiro diretor de redes sociais da Organização Trump, liderada pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Naquela época ele não usava o Twitter, nem sei se ele usava um computador", conta à BBC McConney, que deixou de trabalhar para o presidente no final de 2017.

Em 2009, foi criada a conta @realDonaldTrump - mas o então empresário não tuitava, e seus funcionários também não utilizavam a página com muita frequência.

Naquele período, McConney, que tinha então 24 anos, propôs uma nova estratégia para o Twitter e sugeriu a abertura de um canal no YouTube.

"Quero que esteja envolvido em todo o processo, no desenvolvimento dos tuítes, do conteúdo e das respostas", disse o jovem a Trump.

O dia da pizza com Sarah Palin

Trump aceitou e McConney passou a imprimir mensagens e comentários que a conta @realDonaldTrump recebia. Trump lia e usava uma caneta para escrever notas nas margens das folhas, escolhendo quem ele queria responder diretamente.

No início, o empresário não estava muito convencido da eficácia da estratégia. Mas tudo mudou em março de 2011, dia em que ele almoçou uma pizza com a republicana Sarah Palin, em Nova York, nos EUA.

Trump usou talheres para comer e muitos notaram esta particularidade - em Nova York, o costume é comer pizza com as mãos. McConney propôs então gravar um vídeo com uma explicação de por que comia desta maneira.

"Isto repercutiu em todos os canais de televisão, e isso pareceu incrível para Trump. Eu disse que ele não precisava de 20 jornalistas, câmeras ou funcionários de relações públicas: um tuíte garantiria sua presença na mídia", lembra McConney.

Foi assim que suas publicações na rede social se tornaram mais e mais pessoais.

Vingou

McConney estava convencido de que esse estilo, no lugar do tradicional estilo de relações públicas de um empresário, permitiria alcançar um público muito maior.

E tinha razão, como seria provado nos anos posteriores.

"Acho que foi exitoso porque as pessoas ficaram surpresas que um empresário milionário pudesse comentar sobre o Oscar, ou sobre a nova versão do filme 'Os Caça-Fantasmas'", diz. "Elas não imaginam que este tipo de assunto possa interessá-lo".

Trump se envolveu cada vez mais - e procurava seu assessor tarde da noite, nos fins de semana, ou às 6h da manhã de sábado...

"Na primeira vez que você recebe uma ligação destas, acha que há uma emergência na família. Mas não, ele queria responder imediatamente a uma pessoa que havia mencionado seu nome na televisão".

O caminho para a Casa Branca

Chegou então a fase em que o presidente começou a tuítar diretamente, em 2012, pouco depois de perguntar a McConney se ele preferia um celular iPhone ou um Android. O último parecia melhor para Trump porque tinha uma tela maior.

Quando Trump começou a pensar em se candidatar à Casa Branca, aventou uma mudança de estratégia nas redes sociais. Mas McConney achava isso desnecessário.

"Um vídeo engraçado, com conteúdo noticioso, e que acabe sendo reproduzido em um programa de televisão, é muito mais poderoso do que uma propaganda política tradicional na TV."

O resto é história. E alguns números ilustram a mudança.

De acordo com o site Politico, veículo de mídia dos EUA, em 2010 a conta @realDonaldTrump publicou 142 tuítes; em 2011, a cifra passou para 744; em 2013, já foram mais de 8 mil.

Atualmente, o número de tuítes na conta é superior a 40 mil, e Trump tem mais de 57 milhões de seguidores.