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Reino Unido irá às urnas pela 4ª vez em 4 anos por impasse do Brexit

Manifestantes anti-Brexit protestam durante visita de Boris Johnson a Belfast, na Irlanda do Norte - Paul Faith/AFP
Manifestantes anti-Brexit protestam durante visita de Boris Johnson a Belfast, na Irlanda do Norte Imagem: Paul Faith/AFP

08/12/2019 16h51

No próximo dia 12 de dezembro, cerca de 46 milhões de eleitores vão escolher o novo Parlamento britânico e, por consequência, o primeiro-ministro que governará o país.

No próximo dia 12 de dezembro, cerca de 46 milhões de eleitores vão às urnas no Reino Unido. As eleições-gerais vão escolher o novo Parlamento Britânico e, por consequência, o primeiro-ministro que governará o país acontecem supostamente a cada cinco anos. Mas esta será a terceira desde 2015. E se contarmos com o referendo de 2016, que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, esta é a quarta vez em quatro anos que os britânicos vão às urnas.

A antecipação do pleito, que deveria ocorrer apenas em 2022, é mais uma tentativa de acabar com o impasse que se arrasta há meses sobre o Brexit, como é chamado o processo de saída do Reino Unido do bloco. Não é à toa que esse é o principal tema que vem mobilizando os britânicos e os debates entre os candidatos.

Por que haverá uma eleição agora?

Quase três anos e meio depois que a população britânica decidiu pelo Brexit, no referendo de 2016, a saída da UE (União Europeia) ainda não aconteceu. A partida do bloco foi agendada originalmente para 29 de março de 2019 e, na sequência, adiada para 31 de outubro de 2019. Agora está prevista para 31 de janeiro de 2020, a menos que seja fechado um acordo de saída antes.

Os políticos estão divididos: alguns querem que o Reino Unido saia o mais rápido possível, outros preferem que seja convocado um novo referendo e há ainda quem defenda o cancelamento completo do Brexit.

O atual primeiro-ministro, Boris Johnson, não conta com o apoio de deputados suficientes para aprovar facilmente novas leis e sofreu consecutivas derrotas legislativas em seus planos para tirar o Reino Unido da UE mesmo que sem um acordo prévio com os europeus. Agora, Johnson espera que uma eleição antecipada aumente o número de parlamentares conservadores, facilitando colocar em prática seus planos para o Brexit, embora não haja nenhuma garantia de que isso vá acontecer.

A próxima eleição geral estava prevista para 2022, mas o Parlamento concordou em realizar uma eleição antecipada.

AFP
Imagem: AFP

O Brexit é a principal pauta

Muitas promessas foram feitas pelos partidos políticos nesta campanha eleitoral. As propostas dos candidatos para as mais diversas áreas envolvem temas como economia, defesa e policiamento e serão apresentadas antes do pleito em manifestos eleitorais formulados pelos partidos.

As questões que mais preocupam os eleitores do Reino Unido mudaram muito desde as últimas eleições, conforme mostram as pesquisas de opinião. O sistema público de saúde (NHS, na sigla em inglês) e a imigração eram as questões mais importantes para o eleitorado em 2015. A União Europeia despertava muito menos interesse.

Agora, o Brexit é, de longe, a principal preocupação do eleitorado. E talvez seja, portanto, uma das questões mais debatidas entre os candidatos. Os líderes dos dois principais partidos, Boris Johnson (Conservador) e Jeremy Corbyn (Trabalhista), batem de frente sobre o assunto. Enquanto os conservadores se comprometem a "fazer o Brexit" e deixar a União Europeia até 31 de janeiro, os trabalhistas prometem "resolver a questão do Brexit" em seis meses, renegociando o acordo de Johnson com a União Europeia e colocando o mesmo para votação popular.

O NHS é outra pauta polêmica desta campanha eleitoral. Ambas as partes concordam que o serviço público de saúde precisa de mais dinheiro, mas divergem sobre como seria feito o aporte de recursos. Os trabalhistas acusam os conservadores de querer colocar o NHS "à venda" por meio de um acordo comercial pós-Brexit com os EUA. Os conservadores classificam, por sua vez, as acusações como "absurdas".

Como funciona a eleição geral

Nas eleições gerais, os eleitores do Reino Unido são convidados a escolher um membro do parlamento (MP, na sigla em inglês) para representar seu distrito eleitoral. Qualquer pessoa com 18 anos ou mais pode votar, desde que esteja registrada e seja um cidadão britânico ou cidadão qualificado da Commonwealth (a Comunidade Britânica, que reúne antigas colônias, inclusive a Austrália) ou da República da Irlanda.

A votação acontece nas assembleias locais, instaladas em lugares como igrejas e salas de aula. Na hora de votar, os eleitores colocam uma cruz na cédula de votação ao lado do nome do candidato escolhido e inserem em uma urna.

No total, 650 parlamentares são eleitos para a Câmara dos Comuns, uma das duas Casas do Parlamento britânico. A Câmara dos Lordes é a segunda Casa do Parlamento. Mas seus membros não são eleitos pelo povo. Eles são nomeados pela rainha, mediante recomendação do primeiro-ministro.

Como são escolhidos os vencedores?

O candidato com mais votos em cada distrito eleitoral é eleito para a Câmara dos Comuns. Para vencer, eles precisam simplesmente obter mais votos do que os adversários. A maioria dos deputados pertence a um partido político, mas alguns são independentes.

Em geral, qualquer partido com mais da metade das cadeiras (326) na Câmara dos Comuns forma o governo. O sistema de votação do Reino Unido funciona de modo que os partidos podem assumir o poder com bem menos de 50% dos votos nacionais.

Se nenhum partido tiver maioria, o partido com maior número de deputados pode formar uma coalizão com um ou mais partidos para ganhar o controle.

Como é eleito o primeiro-ministro?

Nas eleições gerais, o primeiro-ministro não é eleito diretamente pelo povo. Ele é escolhido pelos parlamentares do partido vencedor e nomeado pela rainha, que tem o dever de seguir a sugestão deles. Em geral, acaba sendo o líder do partido vitorioso.

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