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Com variante do coronavírus, Europa terá Natal com quarentenas mais rígidas

Nova cepa de coronavírus fez com que Reino Unido endurecesse restrições - Getty Images via BBC
Nova cepa de coronavírus fez com que Reino Unido endurecesse restrições Imagem: Getty Images via BBC

21/12/2020 13h33

O aumento das infecções por uma nova cepa do coronavírus mudou os planos de Natal e Ano Novo de mais de 16 milhões de pessoas no Reino Unido, que se preparava para relaxar as restrições durante o período de festas.

A nova mutação, conforme as autoridades de saúde do país, é até 70% mais transmissível - ou seja, ela se espalha mais rápido, ainda que não seja mais letal do que outras.

Ontem, o secretário de saúde do Reino Unido, Matt Hancock, afirmou que a variante "estava fora de controle".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ordenou que moradores de Londres e outras partes do sudeste da Inglaterra ficassem em casa e os proibiu de se encontrarem com qualquer pessoa que não morasse na mesma casa por duas semanas.

Além disso, decretou o fechamento de lojas de produtos e serviços não essenciais.

Diante do novo cenário, Holanda, Bélgica, Itália, Áustria, Irlanda, Áustria, Alemanha, França e Bulgária anunciaram a suspensão de voos do Reino Unido, e a Espanha está considerando medidas semelhantes.

As ligações ferroviárias entre o solo britânico e o restante do território europeu também foram suspensas, assim como a circulação de caminhões.

A União Europeia vai decidir sobre medidas mais coordenadas a partir de hoje.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que está em "contato próximo" com as autoridades do Reino Unido para monitorar a nova variante.

E acrescentou que as autoridades britânicas estão compartilhando informações sobre os estudos em andamento sobre a mutação e que a OMS informará os Estados membros e o público "à medida que aprendermos mais sobre as características dessa variante do vírus e suas implicações".

Na noite de domingo, milhares de pessoas foram às estações de trem e aeroportos de Londres para tentar sair antes que as novas restrições entrassem em vigor, constatando em muitos casos que as viagens haviam sido canceladas.

Mas o Reino Unido não é a única nação da Europa a endurecer suas restrições no Natal devido ao coronavírus.

Confira abaixo o que outros países do continente estão fazendo para prevenir as infecções em meio à incerteza diante da nova variante do vírus detectada.

Países Baixos

O governo holandês foi o primeiro a proibir voos para o Reino Unido, até 1º de janeiro. Isso aconteceu depois da detecção de um caso com a mesma cepa de coronavírus que passou a circular entre os britânicos.

As autoridades holandesas disseram que trabalharão com outros membros da União Europeia para "explorar as possibilidades de limitar ainda mais o risco da nova cepa do vírus chegar do Reino Unido".

O país estabeleceu um novo recorde nesta quinta-feira ao registrar mais de 13 mil novos casos em 24 horas, apesar de vir aplicando medidas duras desde 15 de dezembro.

A população está em quarentena de cinco semanas, até 19 de janeiro, e escolas e lojas de produtos e serviços não essenciais estarão fechadas até meados de janeiro.

Alemanha

A Alemanha teve um número recorde de infecções e mortes em dezembro, e as unidades de terapia intensiva estão enchendo.

A partir de 16 de dezembro, e pelo menos até 10 de janeiro, o governo impôs uma nova quarentena e fechou escolas e lojas não essenciais.

As reuniões são limitadas a um máximo de cinco pessoas de duas famílias e, apenas no Natal, serão permitidos mais quatro familiares próximos.

França

Em 15 de dezembro, a França substituiu a quarentena por um toque de recolher nacional das 20h às 6h, até pelo menos 20 de janeiro.

Essa restrição será suspensa na véspera de Natal, mas permanecerá em vigor no Ano Novo.

Bares, restaurantes, teatros, cinemas e estações de esqui estarão fechados.

Bélgica

Na Bélgica, as regras atuais permitem que os domicílios sejam visitados por no máximo uma pessoa (sempre a mesma pessoa), o chamado "contato próximo".

Nos dias 24 e 25 de dezembro, as pessoas que moram sozinhas poderão receber o contato próximo e uma outra pessoa ao mesmo tempo.

Fogos de artifício serão proibidos no Ano Novo e o toque de recolher vai da meia-noite às 5 da manhã.

itália - Getty Images via BBC - Getty Images via BBC
Itália ficará em quarentena até 6 de janeiro, pelo menos
Imagem: Getty Images via BBC

Itália

A Itália impôs uma quarentena nacional até 6 de janeiro. Os italianos não poderão sair de casa mais do que uma vez por dia, as pessoas poderão viajar apenas por um número limitado de razões e lojas de serviços não essenciais, restaurantes e bares estarão fechados.

Além disso, o governo impôs um toque de recolher das 22h às 5h.

As casas podem receber no máximo dois visitantes durante certas datas.

O primeiro caso da variante do Reino Unido também foi detectado na Itália, informou o Ministério da Saúde no domingo. O paciente está isolado em Roma.

A Itália registrou o maior número de mortes por covid-19 na Europa, com mais de 68 mil.

Espanha

A Espanha está sob um toque de recolher nacional entre 23h e 6h até o início de maio de 2021.

De 23 de dezembro a 6 de janeiro, as viagens entre as regiões só serão permitidas para visitar amigos e familiares.

As reuniões sociais na véspera de Natal, Natal, Réveillon serão limitadas a 10 pessoas, incluindo crianças (acima do limite atual de seis pessoas).

Áustria

A Áustria entrará em sua terceira quarentena após o Natal.

A partir de 26 de dezembro, todas as lojas não essenciais estarão fechadas e as pessoas serão impedidas de sair de suas casas.

Suécia

A Suécia recomendou o uso de máscaras no transporte público durante os horários de pico, marcando uma mudança em relação às medidas anteriores.

O país foi um dos poucos que não recomendou o uso de máscaras fora de hospitais e clínicas médicas.

O governo também reduzirá o número de pessoas que podem sentar juntas em um restaurante, de oito para quatro por mesa, e proibirá a venda de bebidas alcoólicas a partir das 22h até o final de fevereiro.

A Suécia, que nunca impôs um lockdown total, registrou quase 360 mil casos e 8 mil mortes, muito mais do que seus vizinhos escandinavos.