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Benjamin Netanyahu: a manobra inesperada para pôr fim ao mandato de 12 anos do primeiro-ministro de Israel

Primeiro-ministro Netanyahu e llíder de partido ultranacionalista Bennett trocaram farpas em mensagens televisionadas - PA Media
Primeiro-ministro Netanyahu e llíder de partido ultranacionalista Bennett trocaram farpas em mensagens televisionadas Imagem: PA Media

31/05/2021 11h30Atualizada em 31/05/2021 11h33

Os dias de Benjamin Netanyahu à frente do governo israelense podem estar contados. Um importante partido de oposição demonstrou apoio a uma coalizão que retiraria do poder Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel há mais tempo no cargo.

Yair Lapid, ex-ministro das Finanças e líder de um partido centrista, tem até esta quarta-feira (2) para estabelecer uma maioria alternativa à de Netanyahu no Parlamento e formar um governo, depois que o atual primeiro-ministro fracassou em sua tentativa.

O partido Yesh Atid, de Lapid, foi o segundo mais votado nas eleições, depois do partido de direita Likud, liderado por Netanyahu.

Agora, um líder de um partido ultranacionalista, Naftali Bennett, anunciou que se reunirá com Lapid para formar um governo de coalizão.

O partido de Bennett tem seis cadeiras cruciais no Knesset, o Parlamento israelense, de 120 membros. Seu apoio permitiria a Lapid ter uma maioria confortável.

Netanyahu afirmou que o acordo entre os partidos de Bennett e Lapid "enfraqueceria Israel".

"Não forme um governo de esquerda; tal governo é um perigo para a segurança e o futuro de Israel", disse neste domingo (30/5) Netanyahu, que está no poder há 12 anos e domina a política israelense há uma geração.

O primeiro-ministro, que está sendo julgado por uma acusação de fraude, não alcançou a maioria exigida nas eleições gerais de março passado, a quarta vez em dois anos que israelenses foram às urnas sem que produzissem um resultado decisivo sobre quem poderia formar um governo.

Como em ocasiões anteriores, Netanyahu falhou em garantir o apoio essencial de outros partidos.

O que for preciso para formar um governo

Bennett fez seu anúncio em uma mensagem televisionada ao país.

"Farei tudo o que for preciso para formar um governo de unidade nacional com meu amigo Yair Lapid", disse ele.

A coalizão entre os dois reuniria espectros de direita, esquerda e centro da política israelense.

Embora não tenham muito em comum, todos compartilham o desejo de encerrar a era Netanyahu no comando do governo israelense.

Pouco depois do anúncio de Bennett, Netanyahu desqualificou a iniciativa e acusou-o de cometer "a fraude do século", referindo-se a promessas anteriores de que seu partido, Yamina, não uniria forças com o de Lapid.

O primeiro-ministro disse ainda que a abordagem de Bennett é "um perigo para a segurança de Israel", sem explicar por quê.

Os dois lados têm se movimentado nas últimas horas. No sábado (29/5) à noite, o partido Likud, de Netanyahu, ofereceu a Bennett e a um líder de outro partido que fizessem parte de um governo de três cabeças, no qual os três líderes compartilhariam a posição de primeiro-ministro.

A oferta foi rejeitada, e Netanyahu insistiu novamente no domingo (30/5), obtendo a mesma recusa.

O sistema eleitoral proporcional de Israel torna difícil para um único partido ganhar cadeiras suficientes para formar um único governo. Assim, pequenos partidos, como o de Bennett, muitas vezes desempenham um papel fundamental na formação de maiorias.

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