Escritor sírio Abud Said mostra seu estilo provocador em São Paulo

Danielle Balensifer

Vaiado durante debate na Flip, autor radicado em Berlim estará no Instituto Goethe da capital paulista para apresentar o seu primeiro livro, "O cara mais esperto do Facebook".

O sírio Abdul Said conta que não pretendia ser escritor, mas que acabou se tornando um quase que por acaso. Sua "revolução pessoal" começou em 2009, ao compartilhar relatos do cotidiano e textos poéticos de sua autoria no Facebook.

Alguns desses textos eram críticos e provocativos a ponto de chamarem a atenção de escritores e intelectuais, e ele acabou compilando parte deles no livro O cara mais esperto do Facebook.

Ao falar com humor negro sobre seu cotidiano, sua mãe, a dependência do cigarro, dúvidas da vida e mesmo sobre a situação de seu país, Said ultrapassou barreiras da língua e também fronteiras.

Agora seu o livro está sendo lançado em português, no Brasil, onde Said foi um dos autores convidados da Festa Literária de Paraty (Flip). Nesta quinta-feira (07/07), ele estará apresentando e comentado a obra no Instituto Goethe, em São Paulo.

Nascido em 1983 na cidade de Manbij, na província síria de Aleppo, Said concluiu o ensino fundamental e passou a aprender funilaria, trabalhando por três anos em uma fábrica no Líbano. Chegou a ingressar na universidade para estudar economia, mas o curso foi suspenso por causa da guerra civil no país.

Seu livro, que reúne textos escritos entre 2009 e 2013, acompanha a vida do autor na Síria antes da guerra civil iniciada em 2011 e continua pelos primeiros anos do conflito, até chegar a 2013, quando a fama virtual de Said deu origem a um e-book, lançado primeiramente na Alemanha.

O evento de lançamento do seu primeiro livro permitiu que Said escapasse da Síria e fosse para a Alemanha, onde ele vive como asilado político. Ele também escreve colunas para um site e um jornal alemão.

As observações e opiniões do autor abordam temas como guerra, amor, solidão e injustiça. Seu estilo foge do politicamente correto, sendo irônico e sarcástico. Sua postura de anti-herói e suas críticas ácidas acabaram rendendo a ele vaias e aplausos em terras brasileiras.

Durante a Flip, na mesa de discussão "Síria mon amour", o autor criticou a cobertura midiática sobre guerra e a "turma dos direitos humanos", que, para ele, é doente e precisa de ajuda. "Não quero falar sobre a Síria, os refugiados e a guerra não me interessam. Não falo sobre assuntos sérios, comecei a escrever para me divertir", afirmou, segundo o jornal O Globo.

O público reagiu a esses comentários com vaias e ofensas, mas antes o escritor havia sido aplaudido, ao demonstrar uma irreverência que provocara risos.

Nesta quinta-feira, a partir das 19h30 no Instituto Goethe, Said falará com Leonardo Gandolfi, escritor e professor de literatura portuguesa na Unifesp. O evento, com entrada franca, é mediado pelo poeta, tradutor e editor Cide Piquet.

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