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A árdua procura pelo próximo presidente alemão

Naomi Conrad

24/10/2016 21h47

Sociais-democratas defendem a candidatura do atual ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier. Mas aliança CDU/CSU demonstra resistência, e a busca pelo sucessor de Gauck pode gerar mal-estar na coalizão de Merkel.O Partido Social-Democrata (SPD) e a aliança formada pela União Democrata Cristã (CDU) e a bávara União Social Cristã (CSU) tinham a intenção de chegar a um acordo sobre um candidato à presidência da Alemanha até o final de outubro. Mas a busca pelo sucessor de Joachim Gauck, que decidiu não concorrer a um segundo mandato, não tem sido tarefa fácil.Muitos nomes vieram à tona, sendo mais tarde invalidados. O exemplo mais recente é Andreas Vosskuhle, atual presidente do Tribunal Constitucional Federal alemão, que se afastou da disputa alegando problemas familiares.Agora, um novo nome foi cotado, sem causar grande surpresa: Frank-Walter Steinmeier, ministro do Exterior alemão. A sugestão é do líder dos sociais-democratas e vice-chanceler federal, Sigmar Gabriel, em declarações publicadas na edição desta segunda-feira (24/10) do tabloide alemão Bild.Ao jornal, Gabriel disse que a Alemanha precisa de um candidato "que possa representar o país, que conheça os desafios enfrentados atualmente e que tenha respostas". Steinmeier, segundo ele, se encaixa neste perfil.O sucessor de Gauck deve ser eleito em fevereiro pela Assembleia Nacional (Bundesversammlung), que se reúne exclusivamente para este fim. Metade dela é formada pelos deputados federais e a outra, por delegados escolhidos pelas assembleias legislativas dos 16 estados da Alemanha.O número de representantes é baseado nas maiorias políticas dentro dos governos estaduais e federal. A CDU/CSU e o SPD, no caso, são maioria. Mas se o Partido Verde e A Esquerda chegam a um acordo sobre um candidato do SPD, por exemplo, eles passam a ter vantagem sobre a aliança CDU/CSU.Steinmeier sofre resistênciaConhecida como União, a aliança entre o partido da chanceler federal Angela Merkel e sua aliada bávara CSU, até então, tem rejeitado a proposta do SPD. Para o secretário-geral da CSU, Andreas Scheuer, Steinmeier precisa se concentrar em seu trabalho como ministro do Exterior.Na manhã desta segunda-feira, o líder da CDU no estado da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, disse a jornalistas que considera pouco inteligente a atitude de Sigmar Gabriel de apresentar um novo candidato à presidência "praticamente a cada domingo". Uma estratégia melhor, segundo ele, seria manter negociações dentro da coalizão de governo.A legenda A Esquerda, por sua vez, deixou claro que não apoiaria a candidatura de Steinmeier. Ele seria "um candidato difícil para A Esquerda", disse Dietmar Bartsch, líder da bancada parlamentar do partido. O político acrescentou que, enquanto não estiver claro quais candidatos irão disputar a eleição na Assembleia Nacional, não é possível antecipar a intenção de voto da Esquerda.O presidente da legenda, Bernd Riexinger, também foi firme na opinião sobre a candidatura do atual ministro: "Frank-Walter Steinmeier é um dos arquitetos da Agenda 2010, que aumentou a pobreza entre as classes médias e aprofundou a disparidade entre ricos e pobres. Para nós, ele é inelegível".Simone Peter, presidente do Partido Verde, disse que sua legenda irá considerar qualquer candidato apresentado. Ela, no entanto, manifestou desejo em ver uma mulher ocupando a presidência.E o que diz Steinmeier? Em participação num talk-show político na noite de domingo, o ministro disse apenas que, atualmente, tem outras prioridades. "Estou completamente concentrado nas crises e conflitos ao redor do mundo e em como a Alemanha pode ajudar na busca por soluções", afirmou.Na Alemanha, apesar de o presidente, como chefe de Estado, possuir algumas atribuições executivas, seu papel é quase apenas simbólico. A Lei Fundamental (Grundgesetz) lhe garante a competência de assinar acordos e tratados internacionais, mas a política externa cabe ao governo, chefiado pelo chanceler federal. O mandato presidencial é de cinco anos, sendo permitida uma única reeleição.