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Polícia de Dresden pede desculpas por deter filmagem em ato do Pegida

25/08/2018 08h50

Autoridades policiais da Saxônia se reúnem com representantes da emissora ZDF, após equipe de jornalistas ter sido impedida de continuar cobrindo marcha de movimento anti-islã.O chefe do departamento de polícia da cidade alemã de Dresden pediu desculpas, nesta sexta-feira (24/08), a representantes da emissora pública alemã ZDF, depois que uma equipe da empresa foi impedida de filmar um protesto do movimento xenófobo Pegida.

A equipe da ZDF se reuniu com as autoridades de segurança na capital da Saxônia nesta sexta-feira. Na ocasião, o chefe da polícia local, Horst Kretzschmar, admitiu que eles foram impedidos por tempo demais de continuar o seu trabalho, informou a ZDF.

O incidente ocorreu no dia 16 de agosto último. O jornalista Arndt Ginzel e sua equipe estavam em Dresden cobrindo uma demonstração do Pegida à margem de uma visita da chanceler federal alemã, Angela Merkel, à capital da Saxônia.

Um manifestante reclamou duramente junto ao cinegrafista que seu rosto teria sido filmado ilegalmente. O homem disse então à polícia que teria sido agredido verbalmente por um dos membros da equipe de filmagem, o que levou os policiais a examinarem o caso, detendo os jornalistas da ZDF por 45 minutos para averiguações.

Um vídeo do incidente postado por Ginzel no Twitter mostra um manifestante bradando "Lügenpresse" ("imprensa mentirosa", uma palavra de ordem do movimento xenófobo), antes de afirmar que a equipe o havia filmado ilegalmente participando da manifestação.

Posteriormente, revelou-se que o homem trabalha para o Departamento Estadual de Investigações (LKA) da Saxônia e estava participando da marcha durante seu lazer. Atualmente, ele se encontra de férias.

De acordo com declarações próprias, o LKA está investigando agora uma possível ligação do funcionário com a cena de extrema direita. O porta-voz do LKA afirmou ainda que foi iniciado um processo trabalhista.

Polícia deve apoiar trabalho da mídia

Durante o encontro com a polícia, os representantes da ZDF enfatizaram que o relato anterior que a polícia fez dos acontecimentos não correspondia ao material filmado pela emissora pública alemã.

Na ocasião, o chefe de polícia, Horst Kretzschmar, disse querer corrigir a errônea apresentação dos fatos, assegurando que a atuação policial seria analisada criticamente, "para que se possa aprender com o incidente".

Kretzschmar afirmou na ocasião que a tarefa da polícia é garantir a segurança do direito de manifestação e da livre cobertura jornalística sobre protestos e marchas.

Na última quarta-feira, a chefe alemã de governo, Angela Merkel, demonstrou seu apoio à equipe de jornalistas da ZDF, mas ressaltou que o direito de manifestação precisa ser completamente assegurado.

"Qualquer pessoa que participar de uma manifestação deve esperar que ela seja filmada e observada por jornalistas", disse Merkel, acrescentando que deve haver liberdade para os jornalistas trabalharem. "Quero expressar meu compromisso explícito com a liberdade de imprensa", continuou.

CA/dw/epd

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