Teste nuclear norte-coreano teve a mesma magnitude que em 2013, diz ONU

Em Viena

  • Reuters/Kyodo

    Norte-coreanos assistem a telão com transmissão de anúncio de testes nucleares em Pyongyang, na Coreia do Norte

    Norte-coreanos assistem a telão com transmissão de anúncio de testes nucleares em Pyongyang, na Coreia do Norte

O "evento sísmico" registrado na madrugada desta quarta-feira (6) na Coreia do Norte, e que este país assegura que foi causado por um teste atômico, teve a mesma magnitude e características de outro realizou em 2013, informou em Viena a Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO).

"As características dos sinais que observamos desta vez (...) são muito congruentes com o que o mundo viu em 2013 e que foi um teste nuclear declarado" e assim foi considerado, indicou aos meios de comunicação Randy Bell, diretor do centro internacional de dados da CTBTO, um organismo da ONU.

Bell indicou que a magnitude do terremoto detectado, segundo os primeiros dados, foi de 4,9 graus na escala Richter, muito similar à detectada na de 2013.

O especialista insistiu em se referir ao fato como um "evento", sem qualificá-lo como teste atômico, mas apontou as semelhanças entre os dois fatos.

"As características dos sinais sísmicos detectados hoje são muito similares às do anterior teste nuclear declarado", repetiu, lembrando que são os países-membros da CTBTO que terão que tirar suas conclusões a partir desses dados.

O especialista lembrou que o terremoto foi detectado por volta das 23h30 (em Brasília) nas cercanias do local onde a Coreia do Norte realizou suas anteriores detonações nucleares, em 2006, 2009 e 2013.

Bell não quis entrar em detalhes sobre se a causa deste "evento" pode ter sido a detonação de uma bomba de hidrogênio, como assegura o governo norte-coreano, e insistiu que essa não é uma tarefa do CTBTO.

Com relação às emissões radioativas, caso tenha sido um teste atômico, Bell indicou que podem passar dias ou meses, em função do tempo atmosférico e de quando ocorrerá essa fuga, até que as estações de medição da CTBTO as detectem.

Bell lembrou que em 2013 a fuga aconteceu presumivelmente 25 dias depois da explosão.

O técnico insistiu que não será tarefa do CTBTO concluir se os radionuclídeos que possam ser detectados procedem ou não de uma bomba de hidrogênio, um tipo de dispositivo diferente dos artefatos testados até agora pela Coreia do Norte.

"O papel do CTBTO é assegurar que detectamos qualquer violação e não necessariamente tentar determinar informação de inteligência técnica sobre a natureza do programa (nuclear) de um país", disse.

Por isso, Bell disse que seguir os detalhes sobre a natureza, se é nuclear ou não, ou o tipo de explosão nuclear, "não seria apropriado".

Bell indicou que nos próximos dias os especialistas seguirão analisando os dados e amostras que detectadas e serão compartilhadas com os Estados-Membros do CTBTO.

Coreia do Norte anuncia na TV teste de bomba de hidrogênio

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