Partidos macedônios acordam adiamento das eleições até junho

Atenas, 24 fev (EFE).- A maioria dos partidos representados no parlamento macedônio acordaram nesta quarta-feira adiar para 5 de junho as eleições gerais antecipadas, previstas inicialmente para 24 de abril, ao considerar que as condições para organizar o pleito ainda não existem.

A princípio, estava previsto que o parlamento se dissolvesse hoje e fosse aberto o processo eleitoral para a convocação eleitoral em abril.

A iniciativa de solicitar o adiamento saiu do partido social-democrata USDM, que ameaçou boicotar as eleições se não fossem aplicadas algumas reformas no processo eleitoral, particularmente no regulamento de confecção das listas e na política de meios de comunicação.

A este pedido tinham se somado Estados Unidos e União Europeia, que através de seus embaixadores disseram há poucos dias que "não existem as condições para eleições críveis" e pediram aos líderes dos principais partidos que considerassem outra data.

A UE, Estados Unidos e USDM reivindicam reformas profundas no sistema midiático para obter uma cobertura equitativa, já que a maioria dos veículos de comunicação influentes na Macedônia apoiam as políticas da aliança conservadora VMRO-DPMNE, do ex-primeiro-ministro Nikola Gruevski.

Pouco antes da meia-noite, os grupos parlamentares realizaram uma reunião de urgência na qual, com os votos a favor dos conservadores e dos dois partidos que representam a minoria albanesa, BDI e DPA, ficou decidido adiar até 7 de abril a dissolução da câmara e até 5 de junho a convocação eleitoral.

Os social-democratas não participaram da votação, pois eram contrários a fixar uma nova data para as eleições.

"Agora estão dadas todas as condições para eleições críveis. Nossos parceiros da UE e Estados Unidos nos confirmaram que não é preciso cumprir com novos requisitos ou negociar sobre os meios de comunicação. A Comissão Eleitoral Estatal disporá agora de suficiente tempo para preparar as listas eleitorais", afirmou Gruevski.

O líder social-democrata Zoraen Zaev sustentou que a decisão de adiar a reunião representa "uma derrota" para Gruevski, pois "com ela reconhece que não havia condições para realizar eleições em 24 de abril".

As últimas pesquisas publicadas no final de 2015 mostravam que VMRO-DPMNE continuava sendo a força política mais popular na Macedônia, com o dobro de intenções que o USDM.

A crise política na Macedônia começou há um ano quando o USDM publicou centenas de conversas de membros do governo, incluído Gruevski, obtidas mediante grampos de telefones.

Gruevski respondeu a estes materiais assegurando que eram falsos e que os áudios tinham sido editados e entregues à oposição "por corpos de inteligência estrangeiros para derrubar o governo".

Quando a alta tensão do clima político pôs em perigo a estabilidade institucional do país e sua integração na União Europeia no verão passado, se chegou a um acordo entre partidos, promovido por Bruxelas e Washington, que estabelecia a convocação de eleições antecipadas para 24 de abril, a renúncia do Primeiro-ministro Gruevski 100 dias antes de estas eleições, e a criação de uma Promotoria dedicada a estes casos de corrupção.

Como parte deste acordo político, o VMRO-DPMNE renunciou a alguns ministérios no governo.

Nikola Gruevski renunciou em 15 de janeiro para começar o processo de eleições antecipadas e garantiu que concorreria para liderar o país de novo.

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