Histórico líder liberal russo tentará desbancar Putin nas eleições de 2018

Moscou, 28 fev (EFE).- O histórico líder dos liberais russos, Grigori Yavlinski, foi eleito neste domingo candidato do partido Yabloko nas eleições presidenciais de 2018, quando tentará desbancar o atual presidente russo, Vladimir Putin.

Yavlinski, que cedeu recentemente a chefia do partido a Emilia Slabunova, recebeu o respaldo dos delegados que participaram do congresso da legenda fundada em 1993, com apenas um voto contra.

"Nossa plataforma eleitoral é a defesa da honra e da dignidade do ser humano. As reformas devem ser para a maioria", disse o político, que já se candidatou à presidência em 1996 e 2000, mas nunca esteve perto da vitória.

Caso seja eleito, Yavlinski propõe introduzir reformas estruturais, tanto econômicas como políticas, com especial ênfase na defesa da propriedade privada, e o fim das aventuras político-militares, em clara alusão à crise no leste da Ucrânia, à intervenção aérea na Síria e à guerra de sanções com Ocidente.

O político liberal considera um acerto escolher um candidato à presidência com dois anos de antecedência, já que é a única forma de organizar uma "campanha democrática" para fazer frente à máquina de propaganda do Kremlin.

Isso porque considera possível que Putin antecipe as eleições caso se agrave a atual crise econômica, que disparou até 19 milhões o número de russos que vive abaixo da linha da pobreza.

Além disso, prometeu que fará todo o possível para unificar todas as forças democráticas, quando faltam seis meses para as eleições legislativas.

O partido liberal PARNAS, liderado pelo ex-primeiro-ministro Mikhail Kasianov, se mostrou disposto a apoiar a candidatura de Yavlinski, desde que ambos partidos apresentem uma lista única nas parlamentares.

Por outro lado, o Yabloko não está disposto a aliar-se com o principal líder da oposição extraparlamentar, o advogado anticorrupção Alexei Navalni, a quem expulsou por atribuir-lhe ideias nacionalistas.

Yavlinski, de 63 anos, participou ontem na passeata em lembrança de Boris Nemtsov, o dirigente opositor assassinado há um ano perto do Kremlin quando investigava a morte de soldados russos na Ucrânia.

Oriundo do oeste da Ucrânia, Yavlinski sempre se opôs à ingerência russa no país vizinho, da mesma forma que então foi um dos poucos políticos russos que se opôs à guerra da Chechênia.

"A tentativa de criar um polo alternativo aos Estados Unidos e a Europa é estéril, perigosa e contraproducente, e custará à Rússia grandes cataclismos", advertiu há um ano em entrevista à Agência Efe em referência à política externa do presidente russo.

Putin, que retornou ao Kremlin em 2012 após quatro anos como primeiro-ministro, ainda não disse se tentará a reeleição, embora todos os analistas preveem que o fará e permanecerá no poder até 2024.

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