População de Xangai diminui pela primeira vez em um século

Xangai (China), 2 mar (EFE).- A população de Xangai, na China, uma das metrópoles mais populosas do planeta, caiu em 2015, pela primeira vez em um século, 0,4%, para 24,15 milhões de habitantes, anunciou nesta quarta-feira o Escritório Municipal de Estatísticas.

Este número, que contabiliza apenas as pessoas com residência permanente na cidade, ou seja, de pelo menos seis meses durante o ano, teve um forte ritmo de expansão nas últimas décadas, já que passou de 11,8 milhões de pessoas em 1982 para 16,4 milhões em 2000, e para 24,25 milhões em 2014.

Assim, em 2015 foram 104.100 residentes permanentes a menos em Xangai que em 2014.

Apesar de ter crescido até pouco tempo em um ritmo de centenas de milhares de pessoas por ano, já que Xangai tem o poderoso atrativo de ser um polo econômico e uma importante fonte de emprego no leste do país, a situação parece ter começado a se reverter pela combinação entre o envelhecimento da população e uma baixa natalidade.

Além disso, o alto custo da vida na cidade faz com que os nascimentos não aumentem consideravelmente, nem mesmo com a recente suspensão da política do filho único, que vinha sendo aplicada desde 1979. No entanto, os demógrafos locais acreditam que a freada forte se deve, sobretudo, a outros fatores.

Neste sentido, foi crucial a reestruturação econômica da cidade, que na última década reduziu seu peso industrial e está se tornando cada vez mais baseada em serviços e tecnologia, o que reduziu a oferta de emprego para mão de obra menos especializada na indústria e na construção, enquanto o custo de vida está aumentando.

Além disso, a administração de Xangai está realocando muitos moradores do centro para novas áreas nos arredores, onde foram fechadas muitas fábricas envelhecidas e obsoletas e foram construídas novas áreas residenciais em zonas até agora consideradas rurais.

Tudo isto está ajudando a redistribuir parte da população do massificado centro urbano para os arredores, em linha com o objetivo que a cidade estabeleceu de fixar sua população permanente em 25 milhões para 2020, segundo Zhou Haiwang, demógrafo da Academia de Ciências Sociais local.

De seus 24,15 milhões de habitantes, o número dos que não estão recenseados em Xangai e ainda estão em suas províncias de origem também diminuiu, pela primeira vez em 15 anos, em 1,5%, para 9,816 milhões (40,6% da população total).

Contudo, o número de residentes permanentes com recenseamento familiar ("hukou") em Xangai, o que se consegue sendo nativo da cidade ou com um posto de trabalho legal que permita formalizar sua situação, aumentou em 43.600 pessoas no ano passado, para 14,33 milhões.

"As distintas medidas que foram tomadas desde 2004 reduziram gradualmente o crescimento da população total da cidade, sobretudo da população emigrante, oriunda de outras províncias, a que mais crescia há uma década, o que levou a um crescimento negativo", concluiu Zhou, segundo o jornal "China Daily".

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