Muro proposto por Trump é ineficaz para conter imigração, dizem analistas

Paula Díaz

Em Tucson (EUA)

  • David McNew/Getty Images/AFP

A construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, proposto pelo pré-candidato republicano Donald Trump, é praticamente impossível de ser erguido por elevado custo, além de ser ineficaz para deter o fluxo migratório, disseram nesta segunda-feira (7) ativistas e analistas políticos.

"Um muro completo nos quase 3.200 quilômetros da fronteira sudoeste dos EUA não seria uma política eficaz", afirmou à Agência Efe o analista do Instituto de Políticas Migratórias, Faye Hipsman.

Hipsman disse que os próprios responsáveis do Departamento de Segurança Nacional dos EUA garantiram que já ergueram o "muro necessário", com 1.046 quilômetros em pontos-chave, como áreas urbanas de alto tráfego na fronteira.

O analista indicou que gastar bilhões de dólares para cercar o resto da fronteira, incluindo zonas muito remotas e de acesso complicado, seria difícil de justificar.

"O muro não consegue deter a imigração. As pessoas que entraram com visto e ficaram no país sem autorização representam um terço da população ilegal", explicou Hipsman.

O diretor-executivo da Coalizão de Comunidades Fronteiriças do Sul (SBCC), Christian Ramírez, afirmou à Efe que a militarização da fronteira e a construção do muro estão longe de serem medidas eficazes para deter o fluxo migratório.

"Esses mil quilômetros de muro só criaram tensão e obrigaram muitas pessoas a cruzar a fronteira por zonas remotas. Desde que construíram os primeiros muros, em 1994, mais de 10 mil pessoas morreram nesses locais", destacou Ramírez.

O fechamento da fronteira com o México é uma das propostas irrenunciáveis do programa eleitoral de Trump. No discurso no qual anunciou que seria pré-candidato à Casa Branca, em junho do ano passado, o magnata disse que construiria um grande muro separando os dois países. "E farei com que o México pague por esse muro", frisou.

O projeto, que foi reiterado por Trump em várias ocasiões desde então, incomodou políticos mexicanos, como os ex-presidentes Felipe Calderón e Vicente Fox. Ambos criticaram a medida e afirmaram que o país não irá pagar "um centavo por esse estúpido muro".

O próprio presidente do México, Enrique Peña Nieto, lamentou as opiniões de Trump, ao considerar que as prejudicam as relações entre as duas nações vizinhas.

A construção de um muro para bloquear 60% da fronteira que não é protegida por esse tipo de estrutura teria um custo bilionário e seria uma despesa desnecessária na opinião da diretora-executiva da Border Action Network, Juanita Molina.

"Uma muralha na fronteira é um capítulo passado que não funcionou. Sua presença é uma cara inconveniência para os EUA", ressaltou Molina à Agência Efe.

Já a diretora de Educação e Defesa da Iniciativa Fronteiriça Kino, Joanna Williams, disse que o muro atrasaria a viagem dos imigrantes em apenas "dois ou três minutos".

Além disso, os ativistas destacaram que grande parte dos imigrantes opta por se entregar nos postos de entrada nos EUA para não arriscar a vida cruzando o deserto ou o rio Bravo.

Números do Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP) mostram que, durante o ano fiscal 2015, de outubro de 2014 a setembro de 2015, 22 mil pessoas se entregaram aos agentes policiais para pedir asilo político. Nos quatro primeiros meses do atual ano fiscal, quase 7.000 imigrantes fizeram o mesmo.

Salvador Sanabria, diretor da organização El Rescate, disse à Efe que as pessoas estão desesperadas e decididas a assumir riscos para ter uma segunda oportunidade de vida. "Nenhum muro deterá essa migração", avaliou.

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