ELN questiona exigência de Santos de libertar sequestrados para negociar

Caracas, 30 mar (EFE).- A guerrilha do Exercito de Libertação Nacional (ELN) afirmou nesta quarta-feira que a exigência do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de que não se iniciem as conversas de paz até que não se tenha libertado todos os sequestrados, é um pedido que só fala por uma parte do povo colombiano.

"Nós esperamos que o presidente represente todos os colombianos, para isso o elegem. Quando ele reivindica por uma parte dos colombianos nós estamos na obrigação de escutar, mas temos o dever de representar a dor do resto dos colombianos", afirmou em entrevista coletiva o representante do ELN, Israel Ramírez Pineda, que usa o codinome de "Pablo Beltrán".

"Este é um conflito de mais de meio século e infelizmente na Colômbia veio ganhando força o conceito de que há duas dores, uma que vale mais e outra que vale menos", acrescentou.

Os comentários de Pineda se referem a uma declaração feita hoje por Santos após a divulgação do acordo para o início das negociações de paz com a guerrilha, na qual disse que estas as tratativas começarão quando forem resolvidos alguns "temas humanitários", entre eles o fim dos sequestros.

"Nós no ELN dizemos que todas as dores dos colombianos são iguais e vamos buscar uma solução política do conflito para que isso deixe de ocorrer", enalteceu Pineda, que compareceu à entrevista coletiva ao lado de Eliécer Erlinto Chamorro, conhecido como "Antonio García".

Pineda afirmou que o tema "proposto pelo presidente na alocução do meio-dia será contemplado na agenda em um ponto específico que se chama ações e dinâmicas humanitárias" e que quer que "o resto das dores sejam contempladas", entre elas "a dos seis milhões de deslocados".

Questionado sobre vários casos pontuais de pessoas que continuam sequestradas pelo ELN, entre eles o de um patrulheiro da Força Armada Colombiana, "Pablo Beltrán" garantiu que é preciso "buscar uma solução política ao conflito e dar uma resposta às vítimas".

Sobre o caso do patrulheiro, sequestrado em 20 de março, e que foi o único sobre o qual foi feita uma referência precisa, afirmou que "a ordem" dada "é que seja liberado muito em breve", sem dar mais detalhes.

"A política do ELN é que quando há detidos da Força Armada os trate bem e os libertem rápido, então essa é a política e é o que será feito nesse caso", afirmou o representante do movimento guerrilheiro.

Além disso, declarou que o ELN "responde pelos fatos que ocorrem durante o conflito", por isso exigiu "que a outra parte, que é o regime colombiano, também responda".

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