Diálogo com ELN terá participação social e será diferente ao das Farc

Bogotá, 31 mar (EFE).- A mesa de diálogos que o governo colombiano manterá com o Exército de Libertação Nacional (ELN) será mais aberta à sociedade e com uma fórmula diferente da realizada com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para se adaptar à identidade da segunda maior guerrilha do país, explicou nesta quinta-feira o chefe negociador oficial, Frank Pearl.

Em entrevista coletiva na Casa de Nariño, sede do Executivo, Pearl e os demais membros da delegação do governo detalharam as características de uma negociação que terá as vítimas como protagonistas, como acontece nos diálogos de paz com as Farc, que há mais de três anos são realizados em Cuba.

O anúncio do início da fase pública das negociações com o ELN foi feito ontem em Caracas, após dois anos de diálogos exploratórios nos quais Pearl afirmou ter visto que essa guerrilha "foi amadurecendo sua decisão".

"Sabem que não têm absolutamente nenhuma possibilidade de tomar o poder pelas armas, nem de avançar mais nas atividades insurgentes (...) somos o Estado, estamos ganhando e isso representa uma vantagem para nós", garantiu o chefe da equipe negociadora do governo.

Além disso, a equipe afirmou que até a assinatura do acordo final manterão o princípio de estar "em conflito", razão pela qual a polícia continuará defendendo "cada centímetro do território nacional", assim como a vida e os bens dos colombianos. Ou seja, será negociado em meio à guerra.

Pearl destacou que a sociedade participará das negociações, apesar de não terem sido "definidos quais serão os mecanismos de participação, nem sequer das vítimas", mas não será uma mesa com três forças, já que os diálogos são diretos entre o governo e o ELN.

Perguntado sobre a possibilidade de essa guerrilha declarar um cessar-fogo unilateral, o chefe negociador disse que espera que "o ELN mostre aos colombianos que tem uma verdadeira vocação de paz" e que isso "seja mostrado em fatos concretos".

Além disso, Pearl afirmou que os diálogos serão diferentes aos do governo com as Farc, já que "são organizações distintas".

Neste caso tenta-se buscar uma maior presença social, acrescentou.

Em referência à formação das equipes para as negociações, que terão como sede Equador e sessões de trabalho nesse país, além de no Brasil, Venezuela, Chile e Cuba, Pearl explicou que foi acordado que cada uma das delegações pode contar com até 30 membros.

Além disso, Pearl disse que os integrantes da delegação do ELN contam com "permissões para transitarem pela Venezuela" para deste modo poder comparecer às negociações.

"Quando for definido o número e integrantes da mesa de conversas, imediatamente efetuaremos esse procedimento", sustentou em referência à suspensão das ordens de captura para que os guerrilheiros possam comparecer às sedes dos diálogos.

Por sua vez, o ex-ministro José Noé Ríos, integrante da delegação, detalhou que a decisão de trabalhar em cinco sedes foi tomada porque três delas - Equador, Venezuela e Brasil - foram anfitriãs na fase exploratória, enquanto as outras duas - Chile e Cuba - serviram como países acompanhantes.

"O que estamos fazendo agora é recolher a experiência dos que nessa fase reservada desenvolvida prestaram um serviço especial", acrescentou Ríos.

Neste sentido, destacou que será mantido o mesmo esquema de diálogos, protocolos e mecanismos de segurança em cada um dos países e não mudarão em função das sedes.

O general reformado Eduardo Herrera Berbel, também integrante da delegação, destacou que "pela primeira vez" o ELN assinou um acordo com o governo e "põe como objetivo o término do conflito armado".

Herrera afirmou que houve coincidências com o ELN de que as vítimas seriam "o centro do processo" e em dialogar sobre elas com "os parâmetros internacionais referidos à verdade, justiça, reparação e compromisso de não repetição".

Pearl finalizou dizendo que com os diálogos têm "a oportunidade real de colocar fim a um conflito que teve enormes custos para o país nos últimos 50 anos".

"A assinatura dos acordos de paz abre a porta para a modernidade na Colômbia", concluiu.

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