Liberdade de imprensa no mundo chega a nível mais baixo em 12 anos

Washington, 27 abr (EFE).- A liberdade de imprensa no mundo caiu em 2015 para o nível mais baixo em 12 anos, com preocupantes retrocessos em Bangladesh, Egito, França, México, Turquia, Equador e Nicarágua, segundo o relatório anual divulgado nesta quarta-feira pela organização independente Freedom House.

Apenas 13% da população mundial vive em países onde há imprensa "livre", enquanto 41% tem acesso à imprensa "parcialmente livre" e 46% "não livre", concluiu o estudo apresentado no museu Newseum, em Washington.

O relatório avalia o grau de liberdade de imprensa em 199 países e territórios, os quais pontua entre 0 (máxima liberdade) e 100 (mínima), o que serve de base para determinar se há imprensa "livre" (62 países), "parcialmente livre" (71), ou "não livre" (66).

A média global em liberdade de imprensa de 2015 foi 48,90, a mais baixa desde 2004, 12 anos nos quais a situação piorou consecutivamente com uma leve subida em 2011 e 2012.

Os dez países e territórios do mundo com menos liberdade de imprensa são Coreia do Norte (97º), Turcomenistão (96º), Uzbequistão (95º), Crimeia (94º), Eritreia (94º), Cuba (91º), Belarus (91º), Guiné Equatorial (91º), Irã (90º) e Síria (90º).

Entre os países que registraram maior retrocesso em 2015 se encontram Bangladesh (-7 pontos), Turquia (-6), Gâmbia (-6), Burundi (-6), o Iêmen (-5), França (-5), Sérvia (-5), Egito (-4), Tunísia / Túnis (-4), e Hungria (-3).

O relatório expressa uma preocupação especial pela queda da liberdade de imprensa em Egito, Equador, França, México, Nicarágua, Sérvia e Turquia durante 2015.

A França, o único país com imprensa "livre" dessa lista, está à frente de uma nova tendência na Europa, onde os jornalistas enfrentam "incomuns níveis de pressão de terroristas e, até certo ponto, de seus próprios governos".

O ataque terrorista à sede parisiense da revista satírica "Charlie Hebdo" transformou a França no segundo país com mais jornalistas assassinados (8) em 2015, atrás apenas da Síria (14), e deu procedimento à "legislação para a vigilância em massa e autocensura por temores pela segurança".

Nesse trecho, o relatório cita a Lei de Segurança Cidadã aprovada na Espanha em 2015, que "impõe duras multas financeiras para qualquer indivíduo que, em um protesto e incluídos os jornalistas, se negue a se identificar às autoridades, desobedeça ordens de dispersão ou divulgue imagens não autorizadas das forças de segurança".

A Freedom House considera que esse último ponto "ameaça o trabalho dos fotojornalistas e de outros que busquem informar o público sobre os abusos policiais".

A Espanha mantém a mesma pontuação dos últimos anos, 28, a França passa de 23 para 28, enquanto o Reino Unido, que piora de 24 para 25, é outro europeu assinalado no relatório por um projeto de lei "que obriga as empresas de telecomunicação a reterem dados e histórico dos clientes para possível uso das autoridades".

Na América Latina, um dos países que mais preocupa é o Equador, com imprensa "não livre" e um descenso de 8 pontos desde 2011 devido a um "marcado aumento da censura oficial" e uma cada vez maior concentração da propriedade dos veículos de imprensa.

A Freedom House, fundada em 1941 em Nova York e agora com sede em Washington, é uma organização internacional não governamental que promove as liberdades e a democracia no mundo e é reconhecida por seus relatórios.

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