EUA apoiam referendo revogatório e querem dialogar "em breve" com Venezuela

Washington, 24 jun (EFE).- O subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, disse nesta sexta-feira que espera definir "em breve" uma data para continuar o diálogo entre Washington e Caracas, e que tanto o referendo revogatório como o debate sobre a Carta Democrática na OEA são esforços "válidos" na Venezuela.

"Minha esperança é que em um futuro muito próximo tenhamos uma data para continuar as conversas", disse Shannon em entrevista coletiva no Departamento de Estado.

Shannon retornou aos EUA nesta quinta-feira de Caracas, onde se reuniu desde a última terça com membros da oposição e do Parlamento venezuelanos, assim como com o presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro, em um esforço para reativar o diálogo bilateral e superar as tensões na relação entre EUA e Venezuela.

O subsecretário avaliou que sua reunião de quarta-feira com Maduro ocorreu em "plena luz do dia", com as bandeiras dos dois países juntas e "com os fotógrafos presentes".

"Além disso, aconteceu pouco antes da votação (reunião) de ontem no Conselho Permanente da OEA. Isso, por si só, acredito que é um indicativo de que há um interesse em se relacionar conosco", declarou Shannon, que deu poucos detalhes sobre o conteúdo de sua conversa com Maduro.

"Ainda resta muito a fazer em termos da conversa e o que vamos poder conseguir em nosso diálogo, e teremos que ver quão longe chega. Mas como primeiro passo, foi muito bom", afirmou o subsecretário sobre a reunião com o líder venezuelano.

Shannon disse que, embora os EUA apoiem o diálogo entre o governo e a oposição em Caracas, ao mesmo tempo consideram "válidos" tanto a convocação de um referendo revogatório para decidir se Maduro deve ser tirado do poder como o debate sobre a Carta Democrática na Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Vamos continuar apoiando diferentes vias de ação. O diálogo é muito importante porque é a única maneira que a Venezuela vai encontrar para sair de suas múltiplas crises (...), mas a via do referendo revogatório e a da Carta Democrática são válidas e não se impedem uma a outra", destacou.

O subsecretário também opinou que o fato de que o diálogo nacional conte com "facilitação internacional" pode favorecer "que não só seja usado para enfrentar diferenças políticas, mas também para criar uma plataforma a partir da qual o governo e a oposição possam pedir ajuda da comunidade internacional para enfrentar algumas das crises verdadeiramente significativas que a Venezuela enfrenta agora".

Shannon, que também se reuniu em Caracas com o ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, reafirmou que os Estados Unidos continuam a apoiar tanto a ele como aos outros dois ex-governantes que lideram o esforço de mediação entre o governo e a oposição na Venezuela, o dominicano Leonel Fernández e o panamenho Martín Torrijos.

"Depende das duas partes determinar se os facilitadores são os adequados. Nosso ponto de vista é de que o são, neste momento", frisou.

O opositor Henrique Capriles se reuniu na terça-feira com Shannon e lhe disse que na Venezuela "não há diálogo", além de ter criticado que Zapatero não tivesse mencionado o referendo revogatório em seu pronunciamento na OEA.

Para que os Estados Unidos continuem seu diálogo com Caracas, acrescentou Shannon, será preciso esperar para ver como o governo venezuelano consiga "digerir" a reunião desta quinta-feira na OEA, porque está "incômodado com todo o processo" de invocação da Carta Democrática, e Washington deixou claro que apoia essa medida.

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